Por Tríade Comunicação – Durante muitos anos, fatores como localização, preço e metragem concentraram as principais decisões de compra de um imóvel. Hoje, qualidade de vida é uma nova variável que ganha espaço entre os consumidores. O conceito de wellness real estate, empreendimentos planejados para promover saúde física, mental e bem-estar por meio da arquitetura, dos espaços e da infraestrutura, deixa de ser um diferencial para se tornar um dos fatores considerados por quem busca um novo imóvel.
O crescimento desse mercado também é observado em escala global. Segundo o Global Wellness Institute (GWI), o segmento de wellness real estate movimentou US$ 876 bilhões em 2025 e deve atingir US$ 1,8 trilhão até 2030, consolidando-se como o setor de maior crescimento dentro da economia mundial do bem-estar.
O movimento acompanha ainda mudanças profundas no perfil das famílias brasileiras. Dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, pela primeira vez, menos da metade das famílias do país é formada por casais com filhos. Em 2022, esse grupo representava 42% das famílias, enquanto os casais sem filhos passaram de 13% para 24,1% desde 2000. No mesmo período, o número de pessoas que vivem sozinhas triplicou, alcançando 13,6 milhões de domicílios.
Essas transformações alteram a forma como as pessoas ocupam as cidades e influenciam diretamente os lançamentos imobiliários. Mais do que oferecer áreas de lazer tradicionais, os novos empreendimentos começam a incorporar soluções voltadas ao bem-estar, como ambientes de convivência, áreas verdes, espaços para atividade física, conforto acústico, iluminação natural, mobilidade, contato com a natureza e serviços que favoreçam uma rotina mais saudável.
Para o consultor imobiliário e fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, Lauro Braga, o consumidor passou a entender que qualidade de vida não depende apenas do tamanho do imóvel.
“Hoje, as pessoas compram tempo, conforto e praticidade. Um empreendimento pensado para proporcionar bem-estar consegue reunir elementos que reduzem o estresse da rotina, estimulam hábitos saudáveis e oferecem uma experiência de moradia muito mais completa. Isso tem peso crescente na decisão de compra.”
Segundo o especialista, o conceito de wellness vai muito além da presença de academia ou piscina.
“Quando falamos em wellness, estamos falando de projetos que favorecem iluminação e ventilação naturais, áreas verdes, caminhabilidade, espaços de convivência, segurança, acessibilidade e localização que reduz a necessidade de longos deslocamentos. É um conjunto de fatores que impacta diretamente a qualidade de vida do morador.”
Maceió vive momento de valorização imobiliária
Em cidades onde o mercado imobiliário vive forte valorização, essa tendência ganha ainda mais relevância. Em junho de 2026, o Índice FipeZAP aponta Maceió como a capital com o metro quadrado residencial mais caro do Nordeste, com preço médio de R$ 9.966 por metro quadrado, acima da média nacional. Para Lauro Braga, esse cenário torna o consumidor ainda mais criterioso na escolha do imóvel.
“Quem compra hoje quer enxergar valor além da planta. Existe uma preocupação maior com o estilo de vida que aquele empreendimento proporciona. O imóvel deixa de ser apenas patrimônio para se tornar um espaço que contribui para a saúde, para o equilíbrio e para o bem-estar diário.”
Na avaliação do consultor, essa mudança também desafia incorporadoras e o próprio planejamento urbano.
“O conceito wellness não está restrito ao empreendimento. Ele depende da cidade. Mobilidade, áreas verdes, infraestrutura, segurança e acesso aos serviços fazem parte dessa experiência. Os projetos imobiliários evoluem, mas as cidades também precisam acompanhar essa transformação para oferecer qualidade de vida de forma integrada.”, salienta Lauro.




