Durante o evento intitulado “Populismo Autoritário, Resiliência Democrática e as Supremas Cortes”, o ministro do STF não poupou palavras ao descrever o período vivido pelo Brasil como um momento de “populismo autoritário”, chegando inclusive a afirmar que o país esteve perigosamente próximo do “impensável”.
Barroso criticou explicitamente as Forças Armadas por sua tentativa de minar a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro, além de apontar que as instituições democráticas do país estiveram à beira de um colapso.
Sem citar o nome de Bolsonaro diretamente, o presidente do STF analisou de forma contundente o período, descrevendo-o como uma fase de “erosão democrática, tijolo a tijolo”. Ele destacou a redução da participação da sociedade civil em órgãos de formulação de políticas públicas, o desmonte de órgãos de proteção ambiental e indígena, bem como a recusa em seguir diretrizes científicas durante a pandemia.
Além disso, Barroso ressaltou a gravidade da gestão da pandemia no Brasil, apontando que o país, representando 2,7% da população mundial, registrou 10,2% das mortes relacionadas à COVID-19.
O magistrado também abordou a influência do governo Bolsonaro no país, destacando os esforços para promover o “voto impresso” e questionar a integridade do sistema eleitoral, ações nas quais as Forças Armadas tiveram participação. Barroso criticou a postura dessas instituições e defendeu a integridade do sistema eleitoral.
Por fim, o presidente do STF expressou alívio pelo fato de as instituições terem resistido aos ataques, mas alertou para a importância da vigilância contínua em defesa da democracia e do estado de direito, ressaltando que o país esteve “por um triz” de consequências impensáveis.
