Investigação Revela Gastos Milionários de Banqueiro em Obras de Arte
O banqueiro Daniel Vorcaro declarou recentemente à Receita Federal que possui ao menos R$ 49,7 milhões em obras de arte e relógios. Entretanto, esse montante parece ser apenas uma fração do que ele realmente investiu em peças de arte nos últimos anos. Pagamentos superiores a R$ 10 milhões por um único quadro eram comuns em suas transações.
Fontes revelam que uma empresa ligada a Vorcaro, com sócios ocultos, desembolsou mais de R$ 165 milhões em uma única galeria de arte em São Paulo. Além disso, a investigação segue em busca de outras duas empresas que supostamente também estiveram envolvidas em negociações de alto valor com o banqueiro brasileiro.
No cenário internacional, um liquidante do Banco Master revelou que uma galeria de Nova York recebeu R$ 83 milhões pela venda de obras para Vorcaro. As investigações estão se expandindo, com a consulta a 16 galerias para avaliar se realizaram transações similares com o banqueiro.
As negociações que envolvem Vorcaro eram frequentemente coordenadas por Luciana Gontijo Junqueira, uma marchand que atua no mercado de arte há anos e que está radicada em Miami. Luciana, que é amiga da então esposa de Vorcaro, Fabíola, intermediava a compra de obras, mas não quis conceder entrevistas, orientada por seu advogado.
Durante suas visitas a feiras de arte, como a famosa SP-Arte, Vorcaro buscava não apenas adquirir peças para sua coleção, mas também escolher obras que se adequassem ao design de suas mansões. Em uma transação recente, ele desembolsou R$ 13,6 milhões em obras do artista venezuelano Carlos Cruz-Diez.
Além disso, documentos indicam que ele realizou transações com a galeria Nara Roesler, bem como com outras, que confirmaram a venda de obras de artistas renomados.
Por outro lado, a Justiça americana e as autoridades brasileiras ainda investigam se as aquisições de arte foram realizadas com recursos que deveriam ter sido alocados de forma adequada, levantando questionamentos sobre a legalidade das transações e a origem do dinheiro.
A defesa de Vorcaro, até o momento, optou por não comentar sobre as alegações, enquanto a auditoria fiscal continua a investigar suas atividades no contexto da liquidação do Banco Master, com foco na recuperação de bens que possam ter sido desviados. A análise das transações também levanta a possibilidade de envolvimento de bancos e financeiras em práticas que podem configurar fraude, abrangendo um mercado onde a ostentação e o investimento em arte frequentemente se entrelaçam de maneira obscura.






