Bancos e fintechs brasileiras devem aumentar a investigação de clientes de BVI e Mônaco a partir do dia 15, devido a normas rigorosas de compliance.

Novas regras para investidores brasileiros: maior rigor na análise de clientes em jurisdições de alto risco

A partir do próximo dia 15, instituições financeiras brasileiras, incluindo bancos, fintechs e corretoras, deverão intensificar sua investigação de clientes associados às Ilhas Virgens Britânicas (BVI) e a Mônaco. Essa nova exigência, baseada na Resolução 245 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tem como objetivo fortalecer a integridade do sistema financeiro nacional diante de preocupações globais sobre lavagem de dinheiro.

A implementação dessa regra ocorre em um contexto mais amplo, em resposta a diretrizes do Grupo de Ação Financeira (Gafi), que classifica países com deficiência em combater ilícitos financeiros. Os países listados pelo Gafi são considerados de alto risco, afetando diretamente a dinâmica de investimentos, já que o mercado tende a tratar qualquer operação vinculada a essas jurisdições com maior cautela. Isso invariavelmente encarece e demora o investimento, complicando a vida de investidores que frequentemente buscam as BVI por seus benefícios fiscais.

Especialistas afirmam que essa nova política pode representar três questões significativas para os investidores. Primeiro, as instituições financeiras poderão estabelecer restrições adicionais à aceitação de clientes associados a esses locais; segundo, operações de maior risco poderão ser limitadas ou até rejeitadas; por último, exigências de documentação sobre a origem dos recursos serão mais rigorosas. Em situações extremas, há a possibilidade de encerramento da relação comercial se os riscos forem considerados altos demais.

Curiosamente, países como Dubai, Uruguai e Luxemburgo não estão incluídos nesta nova demanda, apesar de também serem destinos populares entre investidores estrangeiros, já que não aparecem nas listas do Gafi. Essa diferenciação ressalta a complexidade do cenário internacional em que os investimentos são realizados.

Recentemente, o Gafi atualizou suas listas, revelando um movimento constante de países em resposta às suas recomendações. A lista cinza, que inclui nações que reconhecem suas falhas, agora abrange o Iraque e a Bósnia e Herzegovina, enquanto a lista negra inclui nações sem compromisso de mudança, como Irã e Coreia do Norte. Essas mudanças impactam diretamente os procedimentos de conformidade das instituições financeiras no Brasil, reforçando a necessidade de diligência na avaliação de riscos associados.

Mesmo que o Brasil não figure nestas listas, ainda sente os efeitos de modo indireto. A exigência de diligência reforçada sobre transações com países em situação de risco aumenta custos e prazos, afetando tanto a forma como os bancos operam quanto a reputação nacional no ambiente financeiro global.

Adicionalmente, o aumento do escrutínio das transações internacionais é impulsionado por sanções impostas pelos Estados Unidos a brasileiros, evidenciando a seriedade da questão da integração de organizações criminosas na economia formal brasileira. A realidade é que o cenário atual demanda um esforço contínuo e a atualização constante dos programas de prevenção à lavagem de dinheiro, sendo essa uma proteção não apenas contra sanções individuais, mas também um escudo contra a potencial inclusão do Brasil em futuras listas de monitoramento internacional.

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