O fenômeno atual difere de ciclos tecnológicos anteriores, pois está emergindo de uma demanda expressa pelos próprios usuários. As criptomoedas estão se tornando parte do cotidiano financeiro das pessoas, propondo soluções tangíveis para problemas cotidianos, como a proteção contra a inflação e a realização de remessas internacionais. Dados recentíssimos indicam que o fluxo de criptomoedas na América Latina aumentou dramaticamente, com um crescimento impressionante de 800% entre 2021 e 2024. Entre as inovações, as stablecoins se destacam, representando 90% do total de transações regionais em meados de 2025, um aumento considerável em comparação aos 60% de participação em 2022.
O Brasil se destaca nesse cenário, respondendo por aproximadamente um terço do volume total de criptomoedas na região, o que, em cifras, equivale a cerca de US$ 318,8 bilhões em 2024. A pesquisa do Banco Central do Brasil revela que uma fração significativa, mais de 90%, desses fluxos é relacionada a stablecoins. Essa mudança tornou possível uma transição no sistema financeiro tradicional, onde bancos estão migrando de modelos baseados em mensagens, como o SWIFT, para uma infraestrutura fundamentada em ativos digitais, permitindo liquidações atômicas.
Luis Ayala, diretor executivo de uma empresa de infraestrutura de ativos digitais, destaca que os bancos começaram a reconsiderar sua visão sobre as criptomoedas, reconhecendo-as como uma evolução necessária em sua infraestrutura. O uso de cripto está se mostrando uma solução adaptável e sustentável, reduzindo custos operacionais. Para empresas especializadas nesse tipo de infraestrutura, o desafio é construir um ambiente regulado que possibilite a união entre os mundos digital e tradicional.
Os pilares do crescimento contínuo nesse cenário incluem apoio institucional, segurança aprimorada e operações integradas. Provedores de infraestrutura como a mencionada anteriormente estão se tornando essenciais para estabelecer normas de conformidade e governança, permitindo que bancos e reguladores desenvolvam um framework de confiança necessário para facilitar a adoção de ativos digitais.
Dessa maneira, a experiência dos usuários pode se aprimorar, com integradores efetivos eliminando barreiras operacionais e facilitando a integração dos ativos digitais aos sistemas bancários já existentes. O futuro parece promissor, com a expectativa de que mais bancos adentrem esse espaço, unindo forças com fintechs e inovadores do setor. O foco agora não é apenas a aquisição de criptomoedas, mas sim a construção de uma infraestrutura robusta que possibilite a criação de produtos financeiros inovadores, todos dentro de um ambiente regulado e seguro para os consumidores.
