O estudo focou nas principais fintechs do Brasil, como Nubank, Inter, C6 Bank, PagBank e Mercado Pago. Cada uma dessas instituições apresenta estratégias e modelos de negócios distintos, refletindo diferentes enfoques em produtos e perfis de clientes. Enquanto algumas se concentram em oferecer produtos de crédito pessoal com baixo risco, outras preferem opções colateralizadas, como crédito consignado e empréstimos para veículos, enfrentando maior concorrência dos bancos tradicionais.
Os dados revelam uma transformação significativa na eficiência operacional. Em 2020, os bancos digitais gastavam mais do que o dobro do que arrecadavam, com um índice médio de eficiência de 218,3%. Em 2025, esse número caiu para 49%, apenas ligeiramente abaixo dos 50,2% dos grandes bancos. Essa mudança é atribuída à adoção de uma estrutura mais enxuta, sem agências físicas e com investimentos robustos em tecnologia. O avanço da Inteligência Artificial está impulsionando melhorias em áreas como atendimento ao cliente e concessão de crédito.
Contudo, o crescimento acelerado dos bancos digitais veio acompanhado de um aumento na inadimplência, que alcançou 12,5% em 2025, em comparação com 6,7% dos maiores bancos tradicionais. As provisões superam 130%, oferecendo uma proteção no curto prazo, mas o crescimento do endividamento das famílias e a elevada taxa de juros, que está em 14,75%, colocam o setor em posição vulnerável.
Outro desafio que as fintechs enfrentam é a necessidade de adaptação às novas regulamentações. A proibição do uso do termo “banco” sem a devida licença levou as fintechs a uma corrida para se formalizarem. Além disso, a busca por um aumento na captação de crédito e a necessidade de fortificar seu capital regulatório representam novos obstáculos. Caracterizando um cenário em transformação, os bancos digitais agora voltam sua atenção para o mercado corporativo, especialmente para micro, pequenas e médias empresas, reconhecendo um potencial significativo para novos ciclos de crescimento.
A Fitch aponta que o futuro dos bancos digitais dependerá de sua capacidade de equilibrar a geração interna de capital com a ambição de crescimento. As instituições que conseguirem navegar essas complexidades sairão na frente em um mercado cada vez mais competitivo e regulado.





