Na África do Sul, cerca de 14 milhões de habitantes vivem sem acesso a saneamento adequado e mais de 5% da população não dispõe de água potável. Além disso, aproximadamente 15% dos sul-africanos não têm conexão à rede elétrica, a qual já enfrenta cortes e instabilidades frequentes. Diante desse cenário desafiador, os recursos do NBD serão direcionados para diversos projetos fundamentais, como abastecimento de água, saneamento, gestão de resíduos e fornecimento de energia elétrica, com metas a serem alcançadas até 2031. Esse movimento visa não apenas revitalizar a infraestrutura local, mas também ajudar o governo sul-africano a cumprir suas metas de desenvolvimento definidas no Plano Nacional e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas.
A especialista Rafaela Mello Rodrigues de Sá, do Núcleo de Estudos dos Países BRICS da Universidade Federal Fluminense, destaca que este projeto representa uma mudança na abordagem do NBD, que tradicionalmente foca em projetos isolados. A nova estratégia visa integrar diferentes áreas, como saneamento e energia, promovendo um desenvolvimento mais abrangente e sustentável. Com essa ação, estima-se que cerca de 24 milhões de pessoas, ou cerca de 37% da população sul-africana, se beneficiarão diretamente.
A ampliação da atuação do NBD vai além das fronteiras do financiamento. Com a inclusão de novos países membros, como Emirados Árabes Unidos e Egito, a instituição busca se firmar como uma alternativa viável às tradicionais fontes de financiamento, como o Banco Mundial e o FMI, que muitas vezes impõem condições rigorosas. O NBD adota um modelo mais flexível, permitindo que os países membros se utilizem de suas próprias regulamentações nacionais.
Além disso, o banco tem priorizado empréstimos em moedas locais, o que ajuda a reduzir a dependência do dólar e fortalece as economias emergentes. Isso é especialmente relevante num contexto global em que economias em desenvolvimento buscam maior autonomia financeira.
Com a expansão do NBD e suas operações na África do Sul, constata-se um fortalecimento não apenas econômico, mas também político da influência do BRICS no continente africano. Esse movimento se alinha a estratégias semelhantes observadas em investimentos feitos pela China, que visam aumentar a interdependência comercial e melhorar a infraestrutura dos países africanos, ao mesmo tempo que amplia sua própria rede de influência. Essa mudança na dinâmica de financiamento e desenvolvimento poderá redesenhar a assistência internacional, oferecendo alternativas mais favoráveis e alinhadas às necessidades dos países em desenvolvimento.
