Banco Digimais troca auditoria sob investigação da PF por suposta fraude de R$ 670 milhões na operação de ativos durante a Operação Miragem.

Banco Digital Digimais Sob Suspeita de Fraude Financeira em Caso Revelado pela Operação Miragem

O banco digital Digimais, vinculado ao grupo do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, está no centro de uma investigação da Polícia Federal (PF) por supostas fraudes financeiras que podem ter comprometido a integridade de suas demonstrações contábeis. A troca de auditoria independente, que ocorreu recentemente em meio a alertas sobre inconsistências em seu balanço patrimonial, levanta sérias preocupações sobre as práticas contábeis adotadas pela instituição.

A Operação Miragem, deflagrada pela PF, apontou que o Digimais teria inflado artificialmente o valor de seus ativos para mascarar problemas financeiros. Um dos principais indícios dessa irregularidade é um relatório do Banco Central, que identificou uma manobra contábil envolvendo uma supervalorização de R$ 670 milhões relacionada a cotas de fundos de direitos creditórios. Esses fundos, comuns no mercado financeiro, podem ser complexos, e seu valor é determinado pela diferença entre o valor de face dos recebíveis e o custo de aquisição.

O cenário se torna ainda mais alarmante quando se observa que, através de suas estruturas de fundos, ativos avaliados em R$ 71 milhões foram lançados como R$ 741,3 milhões nos resultados financeiros. A consultoria Grant Thornton, responsável pela auditoria independente à época, emitiu ressalvas afirmando não ter condições de garantir a precisão dos valores registrados no balanço. A auditoria indicou que a falta de transações similares no mercado dificultava a verificação das premissas utilizadas para a avaliação dos ativos.

O Digimais, em resposta a essa situação e para cumprir exigências do Banco Central, apresentou um plano de reestruturação que inclui um aumento de capital de R$ 250 milhões e a constituição de uma reserva de R$ 200 milhões para cobrir possíveis perdas. Contudo, os desdobramentos dessa estratégia ainda estavam sob análise do regulador.

Após a troca de auditoria, para a CLA Brasil, os balanços subsequentes não apresentaram ressalvas, mas a auditoria de dezembro de 2024 fez referência às avaliações anteriores, que haviam sido realizadas sob restrições. Em uma análise mais recente, em 2025, novas preocupações surgiram, com a CLA Brasil afirmando não conseguir aferir a veracidade de R$ 3,098 bilhões de um total de R$ 4,233 bilhões investidos.

A complexidade das operações, incluindo uma compra e venda a prazo de R$ 741,3 milhões em cotas, também foi citada pela PF como uma tentativa de burlar determinações do Banco Central. Este cenário expõe a fragilidade de regras de governança e a necessidade de um maior rigor na regulamentação do setor financeiro, a fim de garantir a confiança dos investidores e usuários de serviços bancários. A investigação continua, e a colaboração do Digimais com as autoridades será crucial para desfazer as nuvens de incerteza que pairam sobre a instituição.

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