De acordo com o documento, Mansur possui uma participação total de 4,553% do capital do BRB, dividindo-se entre 0,568% de ações ordinárias, que conferem direito a voto, e 12,237% de ações preferenciais. Frente à demanda de esclarecimentos, Mansur optou por não comentar a situação, conforme informado por sua assessoria.
Essas revelações surgem em meio a uma auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer, com colaboração da Kroll, que examina cuidadosamente as operações do BRB. É importante ressaltar que tanto o Banco Master quanto a gestora Reag já foram liquidadas pelo Banco Central, e as transações entre essas duas entidades estão sob investigação da PF, que busca esclarecimentos frente a eventuais conflitos de interesse.
Recentemente, o Will Bank, que também é controlado pelo conglomerado que detinha o Banco Master, enfrentou dificuldades financeiras, resultando em inadimplência. Como consequência, a Mastercard se viu obrigada a executar garantias, o que lhe conferiu 6,920% de participação no BRB, desmembrando-se em 3,662% de ações ordinárias e 13,200% de ações preferenciais.
Segundo informações apuradas, há indícios de que alguns fundos de investimento que anteriormente injetaram recursos no Banco Master teriam também participado da capitalização do BRB, o que poderia ter alterado o potencial de operação do banco estatal, permitindo-lhe considerar a compra da instituição de Vorcaro — uma transação que foi posteriormente barrada pela autoridade monetária.
Cabe destacar que a auditoria revelou uma mudança no modelo de capitalização do BRB, que inicialmente estava previsto para ser através de uma oferta pública de ações (“follow-on”) e acabou ocorrendo via subscrição privada, onde a participação é restrita apenas aos acionistas existentes. Em meio a esses desdobramentos, a Polícia Federal investiga se houve facilitação por parte de gestores do BRB, incluindo o ex-presidente Paulo Henrique Costa, para a inclusão desses fundos no quadro acionário da instituição. A defesa de Costa, até o momento, optou por não fazer declarações.
A investigação busca ainda elucidar se os fundos em questão se tornaram acionistas antes do aumento de capital, o que teria possibilitado sua participação na subscrição privada, além de verificar se a antiga diretoria do BRB tinha ciência sobre os beneficiários finais desses fundos. A continuidade dessa apuração será crucial para o futuro do BRB e para a confiança nas instituições financeiras públicas.
