Banco de Brasília sob investigação: descoberta de participação acionária de fundador da Reag levanta suspeitas de gestão temerária e compra irregular

O Banco de Brasília (BRB), instituição sob o controle do governo do Distrito Federal, está no centro de uma investigação que envolve seu fundador e um esquema de gestão debatível. João Carlos Mansur, criador da gestora de recursos Reag, foi identificado como detentor de uma participação acionária significativa na organização financeira, conforme revelado no “Formulário de Referência”, atualizado em fevereiro. Esse dado foi formalmente reportado à Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades na administração do BRB, especialmente no tocante à aquisição da carteira do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

De acordo com o documento, Mansur possui uma participação total de 4,553% do capital do BRB, dividindo-se entre 0,568% de ações ordinárias, que conferem direito a voto, e 12,237% de ações preferenciais. Frente à demanda de esclarecimentos, Mansur optou por não comentar a situação, conforme informado por sua assessoria.

Essas revelações surgem em meio a uma auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer, com colaboração da Kroll, que examina cuidadosamente as operações do BRB. É importante ressaltar que tanto o Banco Master quanto a gestora Reag já foram liquidadas pelo Banco Central, e as transações entre essas duas entidades estão sob investigação da PF, que busca esclarecimentos frente a eventuais conflitos de interesse.

Recentemente, o Will Bank, que também é controlado pelo conglomerado que detinha o Banco Master, enfrentou dificuldades financeiras, resultando em inadimplência. Como consequência, a Mastercard se viu obrigada a executar garantias, o que lhe conferiu 6,920% de participação no BRB, desmembrando-se em 3,662% de ações ordinárias e 13,200% de ações preferenciais.

Segundo informações apuradas, há indícios de que alguns fundos de investimento que anteriormente injetaram recursos no Banco Master teriam também participado da capitalização do BRB, o que poderia ter alterado o potencial de operação do banco estatal, permitindo-lhe considerar a compra da instituição de Vorcaro — uma transação que foi posteriormente barrada pela autoridade monetária.

Cabe destacar que a auditoria revelou uma mudança no modelo de capitalização do BRB, que inicialmente estava previsto para ser através de uma oferta pública de ações (“follow-on”) e acabou ocorrendo via subscrição privada, onde a participação é restrita apenas aos acionistas existentes. Em meio a esses desdobramentos, a Polícia Federal investiga se houve facilitação por parte de gestores do BRB, incluindo o ex-presidente Paulo Henrique Costa, para a inclusão desses fundos no quadro acionário da instituição. A defesa de Costa, até o momento, optou por não fazer declarações.

A investigação busca ainda elucidar se os fundos em questão se tornaram acionistas antes do aumento de capital, o que teria possibilitado sua participação na subscrição privada, além de verificar se a antiga diretoria do BRB tinha ciência sobre os beneficiários finais desses fundos. A continuidade dessa apuração será crucial para o futuro do BRB e para a confiança nas instituições financeiras públicas.

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