Nos últimos anos, o Banco Central (BC) do Brasil tem intensificado suas ações de supervisão e regulamentação no sistema financeiro, resultando na liquidação de 16 instituições financeiras desde 2025 até a presente data. A maioria dessas entidades está associada ao Banco Master, cuja rede de companhias foi fortemente impactada por investigações de fraudes financeiras.
Recentemente, em 26 de junho, o BC anunciou a liquidação da Sefer Investimentos DTVM, a mais nova incorporada à lista de instituições que falharam em manter a saúde financeira. Essa ação vem à tona em um contexto já conturbado, onde o Digimais, um banco digital ligado ao bispo Edir Macedo e atualmente sob investigação, pode ser o próximo a entrar na lista de entidades liquidadas.
Entre as instituições afetadas, destaca-se o Banco Master, inicialmente colocado sob regime de tutela após a Operação Compliance Zero, que expôs numerosos casos de irregularidades. Outras entidades do conglomerado, como CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e Will Financeira, também foram liquidadas. Ao todo, 13 liquidações já foram registradas em 2026, um aumento significativo em comparação a anos anteriores, que contaram com apenas seis liquidações em 2023 e duas em 2024.
Apesar desse aumento no número de liquidações, especialistas divergem sobre seus impactos na estabilidade do sistema financeiro brasileiro. Fábio Coimbra, ex-executivo do BC, argumenta que esses eventos refletem uma crise concentrada em instituições com modelos de negócios frágeis, e não uma crise sistêmica ampla. Para ele, o sistema bancário, até o momento, não demonstra sinais de contágio ou risco de colapso generalizado.
O advogado Pedro Abrão reforça essa ideia, apontando que, mesmo diante das dificuldades, o Sistema Financeiro Nacional está robusto, com índices de capitalização bem acima do mínimo exigido. Ele observa que a verdadeira preocupação deve ser a detecção e intervenção em instituições antes que a insolvência se torne irreversível.
Nos últimos meses, houve uma ação preventiva mais rigorosa do BC, que inclui a supervisão contínua de instituições em situação de risco, como evidenciado no caso do Digimais. Essa mudança de abordagem busca não apenas resolver as crises bancárias, mas também fortalecer a governança e a regulação do setor financeiro, evitando que problemas semelhantes se repitam no futuro.
A série de liquidações serve como um alerta sobre a necessidade de maior fiscalização e aperfeiçoamento das práticas de governance, enquanto o mercado observa atentamente a possibilidade de novas intervenções pela autoridade reguladora.





