Banco Central Lida com Escassez de Liquidantes Após Liquidação de 13 Instituições Relacionadas ao Escândalo do Banco Master e Pressão no Senado aumenta.

Desde o ano passado, o Banco Central (BC) do Brasil tem enfrentado um período desafiador, marcando a liquidação extrajudicial de 13 instituições financeiras, a maioria delas associadas ao conturbado caso do Banco Master. Essa situação traz à tona a incapacidade da autarquia em encontrar novos liquidantes, profissionais especializados na administração do processo de liquidação dessas entidades.

Em audiência realizada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, expressou a dificuldade em recrutar liquidantes, evidenciando a frequência com que essas liquidações têm sido necessárias desde 2025. A audiência não se restringiu apenas a esse tema, mas também abordou a supervisão bancária, a atuação do BC no caso do Banco Master e os desafios impostos pela crescente digitalização do sistema financeiro.

Os senadores questionaram intensamente Galípolo sobre como o Banco Central havia monitorado o crescimento do Banco Master, especialmente diante do uso intensivo de captações garantidas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Na defesa das ações do BC, Galípolo enfatizou que seu mandato prioritário era preservar as instituições financeiras até o último momento, e que liquidá-las não deve ser visto como uma punição a seus gestores, mas sim uma medida necessária para proteger o sistema financeiro e a população.

Galípolo também comentou sobre a relevância de assegurar que os passivos garantidos pelo FGC estejam alinhados com os ativos adquiridos pelas instituições. Segundo ele, o que inquieta as pessoas é o modo como o dinheiro foi gerido pelas instituições, não necessariamente a natureza dos passivos.

Durante a audiência, destacou-se uma questão crucial: a legislação de resolução bancária que o BC utiliza está desatualizada, datando de 1975, em um cenário onde o número e a diversidade de instituições financeiras, como bancos digitais e fintechs, cresceram significativamente. O Projeto de Lei Complementar 281, que visa modernizar essa legislação, está atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados.

Outro ponto abordado por Galípolo foi a carência de instrumentos adequados para a gestão de crises bancárias, comparando a situação brasileira com as ações mais ágeis de intervenções no exterior, como foram os casos do Silicon Valley Bank e do Credit Suisse. Ele ressaltou que o Brasil opera um sistema de pagamentos instantâneos (Pix) que funciona em tempo integral, tornando a função do Banco Central ainda mais complexa.

Além disso, Galípolo destacou a perda de capacidade operacional do BC, mencionando a redução significativa de servidores na última década, o que coloca em risco a supervisão eficaz do sistema. Com cerca de 100 aposentadorias esperadas apenas neste ano, a autarquia passa por um momento delicado, precisando se adaptar às rápidas mudanças no cenário financeiro e digital.

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