Banco Central Intensifica Regras para Nível de Competição entre Instituições Financeiras e Bancos Tradicionais, Afirma Gabriel Galípolo em Evento Comemorativo.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, anunciou, durante um evento comemorativo dos 30 anos do Fundo Garantidor de Créditos, que a autarquia intensificará a supervisão sobre instituições financeiras não bancárias. Essas entidades, frequentemente designadas pela sigla NBFIs (Non-Bank Financial Institutions), vêm ganhando destaque no mercado brasileiro, especialmente após a crise financeira de 2008. Na ocasião, o endurecimento das regulamentações dirigidas aos bancos tradicionais possibilitou que empresas combinassem diferentes tipos de CNPJ, realizando funções semelhantes às de um banco sem se submeterem às mesmas exigências regulatórias.

Galípolo destacou que essa questão, que afeta diretamente a concorrência no setor financeiro, tem sido central em discussões internacionais promovidas por organismos como o Financial Stability Board (FSB) e o Bank for International Settlements (BIS). O presidente enfatizou a necessidade de um “level playing field”, ou seja, um espaço equitativo de concorrência, para que nenhuma instituição obtenha vantagem competitiva simplesmente por meio da divergência nas regras que regem o setor bancário.

Além disso, Galípolo observou um movimento crescente no mercado financeiro brasileiro, onde instituições não bancárias estão buscando se tornar bancos, como é o caso do Nubank, que recentemente firmou um acordo para adquirir o Banco Porto Real. Essa transformação permite que essas empresas também acessem a captação garantida pelo FGC, aumentando assim a necessidade de um alinhamento entre os passivos e os ativos de risco.

O Banco Central já implementou três medidas para mitigar riscos nesta nova realidade. A primeira delas consiste na duplicação da contribuição adicional de entidades cuja captação garantida pelo FGC excede 60%. Em segundo lugar, foi estabelecido que instituições com mais de 80% do passivo garantido devem destinar parte de seus recursos para a compra de títulos públicos, processo conhecido como esterilização. Por fim, a terceira medida visa avaliar a qualidade e liquidez dos ativos utilizados como garantias para a captação sob a proteção do FGC, um passo considerado crucial por Galípolo.

Em eventos futuros, o Banco Central pretende apresentar estudos que avaliarão os impactos dessas medidas se já estivessem em vigor em períodos anteriores, mas Galípolo assegurou que o processo de ajuste regulatório é contínuo, sem um prazo definido para conclusão, visto que a análise constante dos potenciais riscos permanece uma prioridade.

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