Com a taxa básica de juros mantida em patamares elevados por um período extenso, o presidente do BC acredita que a calibragem será a palavra-chave para os próximos passos da política monetária. Em suas declarações, Galípolo reconheceu que o cenário econômico apresenta melhorias notáveis, refletidas em uma inflação mais controlada e em expectativas do mercado bastante diferenciadas das que prevaleciam no início do ano anterior. No entanto, ele se apressou em evitar interpretações que carregassem um otimismo exagerado, enfatizando que a atividade econômica demonstrou uma resiliência superior às expectativas.
Durante o evento, o presidente também abordou o polêmico caso do Banco Master, que recentemente esteve sob os refletores devido à sua liquidação decretada em novembro. Galípolo esclareceu que não existe ilegalidade na emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com rendimentos superiores à taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), reafirmando que essa prática, por si só, não justificaria uma intervenção do Banco Central.
Ele lembrou que, no final do ano passado, o BC encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU) um relatório que detalha o processo que culminou na liquidação do banco, mencionando uma “crise aguda de liquidez” que impediu a instituição de cumprir suas obrigações.
Além disso, Galípolo anunciou que acionou a Controladoria-Geral da União (CGU) para auxiliar na apuração interna, a fim de investigar as razões por trás da liquidação e a conduta de integrantes da própria instituição. Ele ressaltou que, mesmo que a atenção ao caso possa parecer desproporcional, dada a classificação do banco como de “terceira divisão”, não se deve subestimar a complexidade da situação.
O presidente do Banco Central também expressou gratidão pela autonomia institucional que a instituição desfruta atualmente, elogiando o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reconhecendo a importância desse respaldo para a estabilidade econômica do país. Galípolo finalizou sua fala agradecendo às entidades do setor financeiro pelo suporte contínuo, ressaltando a relevância do respaldo público em momentos críticos.







