Naquela ocasião, a presidência do Banco Central ainda era ocupada por Roberto Campos Neto, embora a indicação de Galípolo ao cargo já tivesse sido aprovada pelo Senado. Girão enfatiza a relevância de entender se, durante o encontro, houve discussões sobre pressão ou até mesmo tratativas que pudessem influenciar as ações regulatórias do Banco Central, além de possíveis diretrizes que teriam sido propostas mais tarde.
O Banco Master, que enfrentou sérios problemas financeiros, foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado. O episódio culminou na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes relacionadas à instituição. Daniel Vorcaro, por sua vez, está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e está em negociação de um acordo de delação premiada.
Além de Galípolo, a CPI havia convocado Roberto Campos Neto para prestar esclarecimentos na mesma sessão. No entanto, Campos Neto não compareceu, tendo recorrido ao STF, que garantiu sua ausência com base em decisões judiciais anteriores.
A CPI se encontra em uma fase crítica, com o encerramento de seus trabalhos agendado para o próximo dia 14. O relator da comissão, Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou que não haverá prorrogação dos trabalhos, mesmo diante de especulações sobre a possibilidade de extensão devido ao calendário eleitoral. O ambiente em torno da CPI foi marcado por um esvaziamento em suas atividades, resultado das intervenções do STF, que transformaram convocações em meros convites, garantindo aos convocados o direito de não comparecer ou de não responder a perguntas.
Neste cenário, a presença de Galípolo na CPI é vista como uma tentativa de revitalizar a comissão em seus momentos finais, buscando trazer uma nova liderança e dar continuidade às investigações que envolvem um dos episódios mais conturbados do sistema bancário nacional.
