O modelo que está sendo proposto é semelhante ao utilizado para os recebíveis de cartões e se destina a resolver problemas de assimetria de informação, insegurança jurídica e incertezas sobre o fluxo financeiro direcionado aos financiadores. Barroso explicou que a ideia é manter a mesma estrutura aplicada aos recebíveis de cartões, reconhecendo, no entanto, que cada ativo financeiro possui características únicas que exigem soluções individualizadas.
A estrutura do modelo “Open Assets” é baseada em quatro pilares principais. O primeiro é a identificação e padronização dos ativos financeiros. No caso dos recebíveis de cartões, essa etapa foi concretizada com a criação das unidades de recebíveis. O segundo pilar visa assegurar que a representação digital do ativo seja atualizada de maneira dinâmica, refletindo alterações como vendas, anotações comerciais e descontos. O terceiro pilar se concentra na disponibilização de informações aos financiadores, com a devida autorização do titular, o que facilita a negociação. Por fim, o quarto pilar garante que o fluxo financeiro gerado pelo ativo seja destinado ao financiador após a transação.
As bases dessa nova estrutura incluem uma escrituração autorizada pelo BC, onde o ativo é formalizado, além do registro ou depósito. No caso dos recebíveis de cartões, esses ativos são originados nos sistemas das credenciadoras, enquanto, nos recebíveis imobiliários, a origem é dos próprios incorporadores. O Banco Central também está avançando com o projeto “Open Assets Expresso”, que visa acelerar a inclusão de novos ativos nesse sistema.
Dentre as iniciativas em andamento, destacam-se a elaboração normativa da Cédula de Crédito Bancário (CCB) escritural e dos ativos de previdência, com os recebíveis imobiliários atualmente em fase de aprovação. Outras potencialidades, como ativos do agronegócio, estão sendo analisadas. A intenção do Banco Central é levar esses ativos para a plataforma “Open Assets”, simplificando assim a negociação no âmbito do sistema financeiro e no mercado de capitais.
Além disso, após a ocorrência de problemas recentes em sistemas de pagamentos, como nos casos do CredZ e do Entrepay, o Banco Central está considerando a possibilidade de registrar recebíveis para negociações “rio acima”, expandindo a abordagem atual, que se concentra no elo final da cadeia, onde a negociação ocorre entre estabelecimentos comerciais e financiadores.
