Galípolo revelou que foi convocado pelo gabinete da Presidência e se juntou a um já iniciado diálogo, onde estavam presentes não só Vorcaro e Lula, mas também outros ministros do governo. Segundo o presidente do BC, Vorcaro se apresentou como um indivíduo perseguido devido a práticas que promoviam uma concorrência indesejada para os grandes bancos. A resposta de Lula, conforme relatado por Galípolo, foi enfática: “Esse é um tema tratado dentro do BC, o Gabriel será o próximo presidente, ele é técnico, vai te dar um tratamento técnico.” A mensagem do presidente foi clara ao enfatizar a autonomia de Galípolo para conduzir a questão nos termos apropriados.
Na época, Galípolo ocupava o cargo de diretor de Política Monetária do Banco Central e já havia sido indicado por Lula para ser o presidente da instituição a partir de 2025. Ele comparou a orientação recebida a sua própria prática dentro do Banco Central, onde, ao receber reclamações sobre áreas específicas, encaminha as questões diretamente aos diretores responsáveis.
Durante a sessão no Senado, o presidente do BC respondeu aos questionamentos de senadores, como Espiridião Amin (PP-SC) e Eduardo Girão (PL-CE). O tema gerou repercussões, sendo utilizado pela oposição no contexto de um desgaste político que se intensificou com a divulgação de diálogos envolvendo Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A crise surgiu após reportagens revelarem negociações envolvendo investimentos de Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”.
Em resposta a essa situação, Flávio Bolsonaro teve uma reunião nesta terça-feira com membros do PL em Brasília, onde discutiram estratégias de enfrentamento. A orientação envolve a reestruturação da ofensiva política e a busca por evitar que o senador se sinta pressionado pela crise. Para isso, aliados sugerem uma intensificação das agendas públicas e viagens, a primeira delas marcada para São Paulo, onde Flávio deverá se encontrar com representantes do mercado financeiro.
