A troca de informações entre as duas entidades reguladoras se torna ainda mais relevante diante de incidentes recentes que evidenciaram fragilidades no sistema financeiro, como o escândalo do Banco Master, que revelou fraudes complexas envolvendo cirandas financeiras através de fundos de investimento. Embora o ACT não mencione diretamente este episódio, é claro que os reguladores buscam reforçar a supervisão das operações de crédito no Sistema Financeiro Nacional (SFN), assegurando assim a estabilidade financeira e a proteção dos investidores.
A nota divulgada em conjunto pelo BC e pela CVM destaca que a nova parceria permitirá uma uniformização e qualificação no compartilhamento de dados, incluindo informações provenientes de entidades reguladas pela CVM, como as securitizadoras. Desde 2012, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) já transmitem dados sobre suas operações de crédito ao Sistema de Informações de Créditos (SCR), conforme regulamentação vigente, e essa coleta de dados será amplificada.
Para as securitizadoras e os fundos de investimento, a melhoria no fluxo de informações representa um avanço significativo na análise de crédito. Com acesso a um conjunto mais abrangente de dados sobre devedores, essas instituições poderão tomar decisões mais seguras e mitigar riscos. Para o mercado financeiro como um todo, essa cooperação busca reduzir as assimetrias de informação, o que poderá resultar em uma precificação mais justa do risco de crédito e, consequentemente, impactar positivamente os custos para os tomadores finais.
Os reguladores também ressaltaram que a ampliação e o refinamento do repositório de dados contribuirão para oferecer uma visão mais integrada acerca do endividamento de pessoas físicas e jurídicas. Com essas melhorias, o BC e a CVM poderão elevar sua capacidade analítica na identificação e monitoramento de riscos de crédito.
Em suma, o aprimoramento das informações disponíveis garantirá suporte técnico mais qualificado para as análises e decisões macroprudenciais que ambas as autoridades desempenham em suas respectivas áreas de atuação, sempre com o objetivo de promover a estabilidade do sistema financeiro e o adequado funcionamento dos mercados.
