Esse novo cenário, embora promissor, traz consigo desafios complexos. A digitalização, por exemplo, intensificou os riscos no sistema financeiro, tornando a gestão de riscos mais complexa e requerendo uma vigilância aprimorada em áreas como cibersegurança, proteção de dados e prevenção a fraudes. Aquino destacou que a segurança cibernética é uma das principais preocupações dos supervisores bancários atualmente, ressaltando a importância da proteção de dados e da solidez das instituições financeiras. A fragmentação das cadeias operacionais e a integração tecnológica, que envolvem múltiplos intermediários e a dependência de terceiros, aumentam ainda mais a complexidade do sistema, tornando crucial a gestão eficaz dos riscos.
Para enfrentar esses desafios, o Banco Central defende um diálogo contínuo entre os setores público e privado, buscando atualizar o marco regulatório sem sufocar a inovação tecnológica. Durante sua fala, Aquino mencionou a necessidade de discutir a atualização de leis antigas, como a Lei 6.024, que trata da intervenção e liquidação de instituições financeiras e que já se mostra obsoleta para as demandas atuais do mercado. Ele ressaltou a urgência de levar essa questão ao Congresso, enfatizando que a modernização legislativa é fundamental para acompanhar a evolução do setor.
Além disso, o surgimento de novos modelos de negócios, como plataformas digitais, ativos virtuais e inteligência artificial, exige uma adaptação rápida das normativas. Aquino reiterou a importância de um debate franco com a indústria para assegurar que as regulamentações estejam em sintonia com a realidade do mercado, equilibrando inovação e gestão de riscos.
O Banco Central busca garantir um ambiente de pagamentos estável e seguro, estimulando a concorrência e a eficiência, além de promover inovações que gerem benefícios concretos para a sociedade. Em sua visão, o papel dos supervisores se torna ainda mais central na identificação de riscos emergentes e na capacidade das instituições de responder a falhas.
Outro aspecto relevante mencionado por Aquino é o crescimento contínuo do mercado financeiro, que viu o número de instituições aumentar de 1.500 para 1.800 desde 2015. Para gerenciar essa expansão, ele destacou a importância da tecnologia e o uso intensivo de dados e inteligência artificial na supervisão, permitindo assim um acompanhamento abrangente de todo o sistema financeiro. Essa abordagem não apenas fortalece a capacidade de resposta das instituições, mas também assegura a confiança do público em um ambiente financeiro em constante evolução.





