Banco Central Declara Sigilo em Comunicações com Moraes Relacionadas ao Caso Banco Master

O Banco Central do Brasil decidiu colocar sob sigilo as comunicações entre suas autoridades e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em relação à controversa liquidação do Banco Master. Essa decisão surge em meio a um conjunto de investigações que envolvem o banco e seu proprietário, Daniel Vorcaro, que está sendo acusado de fraudes financeiras, incluindo a emissão de títulos falsos.

O processo se intensificou após um pedido feito sob a Lei de Acesso à Informação (LAI) para que fossem divulgados os registros de reuniões e comunicações pertinentes ao caso do Banco Master. No entanto, o Banco Central justificou a negativa ao acesso completo, alegando a necessidade de proteger dados patrimoniais e informações pessoais, o que levanta questões sobre a transparência das operações do órgão.

As investigações em relação ao Banco Master iniciaram em 2024, com o Ministério Público Federal requisitando uma apuração sobre possíveis irregularidades na emissão de carteiras de crédito. Em uma reviravolta no caso, foi revelado que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, havia firmado um contrato no valor de R$ 129,6 milhões com o Banco Master. Este acordo estipulava pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões até 2027, os quais foram suspensos após o Banco Central determinar a liquidação da instituição em razão das fraudes.

A Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que resultou na prisão de Vorcaro, expôs a trama complexa que liga autoridades do governo, instituições financeiras e possíveis irregularidades. O bloqueio dos bens do Banco Master e de outros executivos investigados foi determinado pela 10ª Vara Federal de Brasília.

Além disso, o ministro Moraes se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir impactos da Lei Magnitsky, que permitiu aos Estados Unidos aplicar sanções em resposta a possíveis irregularidades práticas. Essa agenda também incluiu encontros com representantes de diferentes instituições financeiras, indicando que as investigações têm repercussões que vão além do Banco Master. O sigilo das comunicações dessa natureza pode gerar desconfiança e preocupação sobre a integridade das operações financeiras no Brasil, alimentando o debate sobre a necessidade de maior transparência nas relações entre o governo e as instituições bancárias.

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