O Comef destacou que as principais preocupações estão relacionadas às dependências comuns entre as instituições financeiras e à possibilidade de danos em infraestruturas críticas. Para mitigar esses riscos, o comitê enfatizou a necessidade de aumentar a resiliência cibernética do Sistema Financeiro Nacional (SFN), focando na gestão de vulnerabilidades e no desenvolvimento seguro, além de considerar os riscos associados a terceiros.
Além disso, o BC sinalizou que pretende promover iniciativas coordenadas para a avaliação e uso defensivo desses modelos de IA, através de esforços colaborativos entre os setores público e privado. Essa abordagem oportuna pode auxiliar na construção de um ambiente financeiro mais seguro e menos suscetível a incidentes indesejados.
Outro ponto abordado pelo Comef refere-se a casos recentes de inadimplência em arranjos de pagamento, que evidenciam a necessidade de reformas regulatórias nesse setor. As mudanças implementadas desde novembro de 2025 foram essenciais para reforçar as responsabilidades das bandeiras de cartões em relação aos arranjos de pagamento. O comitê deixou claro que não são aceitáveis disposições regulatórias que limitem a responsabilidade do instituidor em caso de assunção de risco residual.
Em maio, as bandeiras de cartões apresentaram ao BC novos regulamentos alinhados à Resolução BCB nº 522, que está sendo avaliada pela autarquia. O especialista Gilberto Martins, fundador da G-Payments Consulting, destacou que as novas regras podem transformar significativamente o mercado de meios de pagamento, introduzindo um novo paradigma de gestão de riscos e garantias.
Essas mudanças regulatórias são especialmente relevantes em um momento em que o setor de pagamentos enfrenta desafios significativos, como a liquidação extrajudicial da credenciadora Entrepay e os problemas de repasse enfrentados pelo Will Bank, ambos relacionados ao Banco Master.
O Comef também segue monitorando estruturas complexas de fundos de investimento, que podem dificultar a avaliação de riscos adequados. Após observar resgates líquidos em fundos de crédito privado, o BC conduziu testes de estresse de liquidez e constatou que esses fundos demonstram resiliência.
O mercado de capitais, por sua vez, continua a se expandir em um ritmo que supera o crescimento do crédito bancário. O primeiro trimestre de 2026 foi positivo, apesar de certa desaceleração em abril, com debêntures e notas promissórias se destacando como principais motores desse crescimento. A análise cuidadosa e as novas regulações propostas pelo BC refletem um comprometimento contínuo com a estabilidade e a segurança do sistema financeiro brasileiro.
