Vissotto enfatizou que uma baixa taxa de recuperação não é simplesmente um acaso, mas, sim, uma indicação de que as instituições precisam melhorar significativamente suas práticas. “Quando um banco não consegue recuperar os valores dos clientes, está dando margem para o crime organizado expandir suas atividades”, declarou. Para enfrentar esse desafio, o Banco Central implementou o Mecanismo Especial de Devolução (MED) 2.0, que permite rastrear de forma mais eficaz o fluxo de dinheiro, ajudando a identificar contas fraudulentas e os responsáveis por esquemas ilícitos.
Entretanto, o problema tem suas raízes muito antes de qualquer transação financeira. Segundo o especialista, a etapa de onboarding — o processo de abertura de contas — é onde as fraudes realmente começam. Instituições financeiras precisam adotar medidas robustas de prevenção durante este processo inicial, incluindo tecnologias como biometria facial e verificação de vida. Caso essas precauções não sejam implementadas, criminosos conseguirão acessar o sistema financeiro, comprometendo a segurança e causando prejuízos financeiros.
Para responder a eventuais fraudes, o Banco Central está trabalhando em medidas cautelares intermediárias, que permitiriam o bloqueio preventivo de recursos assim que indícios de fraude surgirem. Isso contrasta com a abordagem atual, que só permite a suspensão total das transações em casos de falhas graves. O objetivo é criar um sistema que ofereça opções para prevenir danos antes que eles ocorram.
Além disso, está sendo desenvolvido um score de fraudes para as transações via Pix, que fornecerá uma pontuação baseada em algoritmos para auxiliar as instituições na avaliação de riscos. Isso não substituirá a análise humana, mas oferecerá uma camada adicional de segurança.
Entretanto, a implementação dessas melhorias enfrenta limitações orçamentárias. O Banco Central reconhece que suas restrições financeiras dificultam a execução de todos os planos de aprimoramento. A necessidade é clara: instituições que desejam operar com o Pix devem investir adequadamente em segurança, uma vez que a eficácia e a confiança do sistema financeiro dependem disso. Com a impressionante marca de 250 milhões de transações diárias, a mensagem é clara: segurança e infraestrutura são essenciais para a sustentabilidade do sistema.





