O desfecho dessa situação surpreendeu especialistas, que consideram que a decisão do presidente chileno, José Antonio Kast, não se alinha com a tradição da política externa do país, que geralmente busca continuidade em suas escolhas internacionais, independentemente de mudanças de governo. O cientista político Marcelo Mella aponta que, ao retirar o apoio, Kast rompe com uma prática histórica e pode gerar efeitos prejudiciais na política internacional do Chile.
Por sua vez, o acadêmico equatoriano Santiago Carranco destaca que a polarização do sistema internacional e a transição de uma ordem baseada em instituições para outra fundamentada na coerção influenciam negativamente decisões políticas, incluindo a de Kast em relação a Bachelet. Essa falta de alinhamento do governo chileno com Bachelet, uma candidata forte, exemplifica uma fragilidade nas relações internacionais e uma dificuldade em promover políticas externas de longo prazo.
Com sua decisão de permanecer na corrida, Bachelet se junta a uma lista diversificada de candidatos latino-americanos, que inclui figuras como Rafael Grossi e Rebeca Grynspan, além de outros representantes. A candidatura de Bachelet é vista como uma oportunidade para reforçar a presença latino-americana na ONU, especialmente se seus pares na região optarem por apoiá-la.
O papel dos Estados Unidos também se torna crucial nesse cenário. A decisão da administração americana pode influenciar a dinâmica regional e o apoio que Bachelet pode receber, visto que muitos países tendem a seguir as diretrizes de Washington. Enquanto isso, Bachelet tem um forte reconhecimento internacional, o que pode ajudá-la a reunir apoio em meio à fragmentação de candidaturas.
Neste cenário, o apoio de países como Brasil e México será fundamental para a ex-presidente chilena. Ela ainda pode emergir como uma alternativa viável de consenso, especialmente se o processo de seleção na ONU se tornar conturbado, considerando sua trajetória e influência global. Desse modo, Bachelet representa não apenas uma candidatura, mas também a esperança de consolidar uma representação feminina e latino-americana na liderança da Organização das Nações Unidas.






