
Preso há quase cinco anos, o publicitário Marcos Valério tem o maior interesse de que sua delação premiada avance nas negociações com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. A possível colaboração de Valério preocupa o senador Aécio Neves (PSDB), sobretudo por abranger o período em que o tucano governo o estado de Minas Gerais, e alguns de seus aliados.
Interlocutores afirmam que a delação do publicitário atinge políticos de diferentes partidos, mas que ela tem um foco especial sobre Aécio e o senador Clésio Andrade (PMDB-MG). Em tentativas passadas para firmar delação, Valério reiterou a delação do ex-senador Delcídio Amaral, na qual Aécio é acusado de pedir mais prazo, na CPI dos Correios, para que fossem entregues as informações do Banco Rural para maquiar documentos, atesta o JB.
Aécio Neves teria dito, na sede do governo de Minas Gerais, que o tempo extra foi uma estratégia para “maquiar” os dados do Banco Rural que “atingiriam em cheio as pessoas de Aécio Neves e Clésio Andrade, governador e vice-governador de Minas Gerais (na época)”.
Segundo o juiz Wagner Cavalieri, titular da Vara de Execuções Criminais da Comarca de Contagem, que participou do processo de transferência de prisão de Valério, o publicitário é “possuidor de inúmeras informações de interesse da Justiça e da sociedade brasileira sobre fatos ilícitos diversos que envolvem a República”. Como cita políticos com foro privilegiado, o acordo aguarda homologação do STF.
No foco de Marcos Valério estaria o mensalão tucano mineiro, quando recursos de estatais teriam sido supostamente desviados para a campanha à reeleição do ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB). A proposta de delação havia sido rejeitada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG),
Valério e o Mensalão Mineiro do PSDB
O mensalão mineiro envolve denúncias de peculato e lavagem de dinheiro durante a campanha à reeleição do governador Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. Um dos fundadores do PSDB e ex-presidente da legenda, Azeredo já foi condenado em primeira instância à pena de 20 anos e 10 meses de prisão. Ele entrou com recurso no TJMG e aguarda o julgamento em liberdade.
Marcos Valério é apontado como operador desse esquema. O publicitário já está preso por ter sido condenado na Ação Penal 470, o processo do mensalão, no qual foram condenados políticos do PT, PMDB, PP, PTB e do extinto PL. Valério cumpre pena de 37 anos pelos crimes de corrupção ativa, peculato, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
O publicitário também é réu em processo da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção envolvendo a Petrobras. Ele é acusado de lavagem de dinheiro.A Agência Brasil tentou contato com o advogado de Valério, Jean Robert Kobayashi Júnior, mas não obteve sucesso.
21/07/2017







