O professor de Enfermagem na instituição Afya Maceió, Wbiratan de Lima Souza, descreve a automedicação como um fenômeno cultural e multifatorial no Brasil. Esta tendência é alimentada pelo difícil acesso aos serviços de saúde, pela facilidade de aquisição de medicamentos e pela influência de recomend ações entre amigos e familiares. Embora muitas pessoas vejam a automedicação como uma solução rápida para alívio sintomático, essa abordagem traz riscos severos à saúde em curto, médio e longo prazo. O uso frequente de medicamentos sem supervisão profissional pode levar a complicações importantes, adiando diagnósticos de doenças que necessitam de tratamento específico.
Wbiratan alerta que o uso descontrolado de analgésicos e anti-inflamatórios, por exemplo, pode resultar em problemas gastrointestinais, como gastrites e úlceras, além de sobrecarregar os rins e aumentar o risco de insuficiência renal. O fígado também pode sofrer danos, especialmente em casos de consumo excessivo de paracetamol, uma das principais causas de insuficiência hepática aguda.
Ademais, o uso contínuo de certos anti-inflamatórios pode afetar a saúde cardiovascular ao elevar a pressão arterial, comprometer a eficácia de medicamentos anti-hipertensivos e aumentar as chances de eventos como infarto e AVC. Outro aspecto preocupante é que a automedicação pode ocultar sinais importantes de condições graves, como infecções ou tumores. Quando indivíduos utilizam medicamentos para controlar sintomas repetidamente, muitas vezes aliviam apenas o desconforto momentaneamente, mas não abordam a causa subjacente do problema, reduzindo assim, as oportunidades de um tratamento adequado.
O docente alerta sobre o equívoco comum de que medicamentos isentos de prescrição médica apresentam riscos mínimos. Ele destaca que qualquer medicação pode causar reações adversas e interagir perigosamente com outros compostos quando utilizada de forma inadequada. Combinações que incluem álcool, diferentes medicamentos sem a supervisão de um médico ou o uso concomitante de suplementos alimentares e fitoterápicos podem agravar os riscos, potencializando o perigo de hemorragias e danos hepáticos.
Para evitar complicações no tratamento da saúde, o professor recomenda que a população busque orientação profissional sempre que os sintomas persistirem ou surgirem sinais de alerta. Ele reforça que a automedicação deve ser minimizada e que o uso racional de medicamentos, que inclui a escolha do remédio adequado, na dosagem cert a e pelo tempo necessário, com a supervisão de um profissional qualificado, é o caminho mais seguro para preservar a saúde e evitar complicações que podem se tornar graves.
