Marles ressaltou que a transformação das Forças de Defesa australianas é motivo de urgência. Para isso, mais de 40% do orçamento destinado à defesa está sendo alocado para aprimoramento de capacidades marítimas. Essa reestruturação inclui a aquisição de submarinos nucleares através da parceria AUKUS, além de novos destróieres, fragatas e plataformas marítimas não tripuladas.
O secretário de Defesa também fez uma análise do atual cenário geopolítico, afirmando que a Austrália enfrenta o ambiente estratégico mais complexo e perigoso desde o final da Segunda Guerra. Entre as várias ameaças citadas, destacam-se os danos à infraestrutura subaquática e as tensões persistentes no mar do Sul da China, assim como situações voláteis envolvendo o Irã e as atividades da chamada “frota sombra”, que consiste em flotilhas operando sob sigilo.
Marles enfatizou que, após décadas de estabilidade relativa, a era pós-Guerra Fria chegou ao fim. Ele alertou que países que não investem em uma defesa confiável estarão mais suscetíveis à coerção externa e terão sua soberania comprometida. Apesar dessa necessidade de fortalecimento militar, Marles reforçou a intenção da Austrália de manter relações pacíficas e produtivas com a China, o seu maior parceiro comercial. Ele expressou a crença de que um relacionamento estável é não apenas desejável, mas possível.
A situação ressalta a crescente rivalidade no Indo-Pacífico e a importância estratégica que a Austrália atribui a sua defesa e à sua diplomacia, que devem ser equilibradas para garantir tanto a segurança do país quanto a estabilidade regional. Essa nova orientação militar poderia redefinir não apenas a política de defesa australiana, mas também as dinâmicas geopolíticas na região.





