Eugene Lindell, especialista da consultoria FGE NexantECA, enfatizou que a situação do diesel é alarmante e que os preços podem alcançar níveis extremamente altos. Segundo ele, a combinação de uma demanda crescente e a redução das exportações de diesel de refinarias na Ásia e nos Estados Unidos poderá piorar a crise. Isso ocorre justo quando as atenções estão voltadas para a necessidade de aquecimento diante do rigoroso inverno que se aproxima.
A análise de Zamir Yusof, da Kpler, revela que as refinarias dos EUA, especialmente na Costa do Golfo, não têm a possibilidade de manter um fluxo constante de exportações para a Europa. É esperado que, até o primeiro trimestre de 2027, algumas remessas possam ser redirecionadas para atender a demanda interna nos EUA.
A perda de capacidade refinadora devido a crises políticas, especialmente no Oriente Médio e na Rússia, agrava ainda mais a situação europeia. Com um tráfego marítimo interrompido no estreito de Ormuz, uma rota-chave para o abastecimento global de petróleo e gás, os preços dos combustíveis dispararam, afetando diversos países. A Europa, que já lida com os efeitos das sanções ao setor energético russo desde 2022, continua a enfrentar desafios significativos.
O presidente russo, Vladimir Putin, reconhece que as sanções infligidas pelo ocidente tiveram um impacto profundo na economia mundial, embora afirme não estar negando o acesso aos suprimentos de energia. A União Europeia, por sua vez, permanece firme na busca por alternativas ao petróleo e gás russos, liderada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que defende um afastamento completo dessas fontes, mesmo que isso envolva custos mais elevados.
Com a incerteza em relação ao futuro das importações de energia e as dificuldades internas de refino, o inverno europeu promete ser um período desafiador, em que a escalada nos preços do diesel poderá impactar não apenas a economia, mas também a estabilidade política da região.




