ECONOMIA – Aumento nos juros do cartão de crédito pressiona orçamento das famílias e revela dificuldades financeiras no Brasil, aponta Banco Central em novo relatório

Nesta segunda-feira, o Banco Central do Brasil divulgou dados preocupantes acerca do aumento das taxas de juros do cartão de crédito, com destaque para o rotativo, que se tornou uma das opções mais onerosas para os consumidores. Em fevereiro, a taxa média de juros para pessoas físicas atingiu alarmantes 62% ao ano, evidenciando um crescimento acentuado, especialmente nas operações de rotativo do cartão de crédito, cuja taxa subiu 11,4 pontos percentuais no mesmo período.

O uso do crédito rotativo ocorre quando o consumidor opta por não quitar o valor total da fatura do cartão, o que o leva a entrar numa linha de crédito com juros inflacionados. Essa situação não apenas encarece o crédito, mas também aumenta o risco de inadimplência e de atrasos nas dívidas, resultado de um financiamento que já é intrinsecamente arriscado.

Além do aumento das taxas, o volume total de crédito no Brasil está crescendo, porém, a um ritmo mais lento. Em fevereiro, o saldo das operações de crédito somou R$ 7,1 trilhões, representando uma alta de apenas 0,4% no mês e 9,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Apesar desse crescimento, ele é inferior ao esperado, refletindo um cenário de cautela por parte dos consumidores.

As famílias permanecem como principais responsáveis por esse crescimento do crédito, registrando um aumento de 0,6% nas operações de crédito, com um impressionante crescimento de 11,2% ao longo de um ano. Isso demonstra que, mesmo em um ambiente de juros mais altos, muitos brasileiros ainda buscam empréstimos para sustentar seu consumo diário.

Contudo, a realidade financeira é adversa para muitos. A dificuldade em quitar dívidas tem se intensificado, com 4,3% das operações no sistema financeiro apresentando atraso, número que salta para 5,2% entre as famílias. Esse endividamento elevado, que já compromete 49,7% da renda anual, afeta diretamente a capacidade de consumo e a saúde financeira das famílias brasileiras. Em média, 29,3% da renda mensal está destinada ao pagamento de dívidas, um peso significativo que limita o poder aquisitivo dos cidadãos.

Apesar desse panorama econômico desfavorável, os bancos liberaram R$ 602,3 bilhões em novos empréstimos em fevereiro. Contudo, essa liberação representa um recuo se comparado ao mês anterior, sinalizando uma possível redução na demanda por crédito. Quando considerado o crédito total, incluindo financiamentos de outras fontes, o volume alcança a cifra impressionante de R$ 21 trilhões, o que equivale a 163,7% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Essa realidade ressalta a complexidade da situação econômica atual, onde crescer sob a pressão dos altos juros e do endividamento é um verdadeiro desafio para muitos brasileiros.

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