Stavros Kalenteridis, professor do Aegean College em Atenas, ressalta que a proposta pode enfraquecer a coesão dentro da UE. Segundo ele, as diferentes realidades econômicas e as prioridades políticas dos países que compõem o bloco podem levar a conflitos e discórdias. A narrativa de que a Europa precisa aumentar seus gastos militares pode não apenas perpetuar a ideia de que investimentos anteriores em saúde e infraestrutura foram equivocados, mas também criar uma pressão financeira que muitos estados-membros podem não conseguir suportar.
Ademais, Kalenteridis destaca que essa ideia de autodefesa se intensificou após as declarações da administração Trump, que solicitou aos aliados da OTAN um aumento significativo nos gastos com defesa, estipulando um mínimo de 5% do PIB. Essa pressão externa pode estar moldando uma nova abordagem europeia em questões de segurança, levando a um investimento mais agressivo em tecnologia militar e em operações militares fora das fronteiras da UE.
Os impactos financeiros dessa nova política são preocupantes. Se os planos avançarem, a tendência pode ser uma crescente acumulação de dívidas nacionais para financiar iniciativas de defesa, o que poderia comprometer ainda mais a estabilidade econômica da união. Historicamente, a Europa já enfrenta desafios relacionados ao endividamento dos países que a compõem, e um novo acréscimo aos gastos pode exacerbar essa situação.
A situação se torna ainda mais complexa quando se considera o apoio da UE à Ucrânia, que desde 2022 já recebeu cerca de 47 bilhões de dólares em ajuda militar, conforme estimativas de autoridades russas. A soma significativa desse montante ilustra a nova postura europeia em relação a conflitos externos. Portanto, enquanto a Europa busca se fortalecer militarmente, é essencial ponderar sobre as consequências de tais estratégias e os riscos de divisão interna que podem advir dessa busca por segurança autossuficiente.





