Os dados, coletados pelo Ministério Público de São Paulo, revelam que, em média, uma pessoa é morta a cada 13 horas e 12 minutos por policiais militares no estado, totalizando 171 mortes reportadas até o momento. Desse total, apenas nos dois primeiros meses deste ano, 123 mortes ocorreram, evidenciando uma escalada de violência em comparação aos 92 casos registrados em 2023, um aumento de 33,6%. Em São Paulo capital, o número de homicídios cometidos por PMs chegou a 57, o que equivale a uma pessoa morta a cada dois dias.
Esse cenário de violência não é recente. Em fevereiro de 2024, um oficial da PM previu, em confidencialidade, um “banho de sangue” na corporação em resposta à morte de um policial, Samuel Wesley Cosmo, em Santos. Este sentimento de iminente violência foi amplificado pela sequência de homicídios que afetou a Tropa de Choque, incluindo a perda de outros membros há menos de um ano.
A situação tornou-se ainda mais delicada ao ser alvo de críticas internacionais. A Defensoria Pública de São Paulo, junto com a ONG Conectas Direitos Humanos, protocolou uma denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA. A queixa aponta para graves violações de direitos humanos durante operações policiais, assinalando um padrão de alta letalidade, uso excessivo da força e falhas sistemáticas nas investigações das ocorrências.
As operações em questão teriam resultado na morte de 84 pessoas, conforme registrado oficialmente, levantando questões sérias sobre o uso da força policial e o respeito aos direitos civis. A combinação desses fatores sugere que a segurança pública no estado enfrenta desafios críticos que requerem investigação e ações eficazes para conter a violência e proteger a comunidade. A situação demanda uma análise minuciosa e debates urgentes sobre a atuação policial e os mecanismos de controle social.
