Aumento de fraudes no sistema bancário brasileiro atinge recorde em 2026, com 25 incidentes registrados em cinco meses, alertam especialistas do Banco Central.

Nos primeiros cinco meses de 2026, o Banco Central do Brasil registrou 33 incidentes de segurança, dos quais 25 estão relacionados a fraudes. Este é o maior número já contabilizado no país para esse período, de acordo com Aristides Cavalcante Neto, chefe do Departamento de Gestão Estratégica e Supervisão Especializada do Banco Central. Durante o Fórum Bancos & Banking 2026, realizado pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Cavalcante destacou que o último golpe ocorreu recentemente, embora não tenha divulgado o nome da instituição afetada.

Esse volume de incidentes é alarmante, representando quase 50% dos 76 episódios registrados no total do ano anterior. Os dados apontam para um crescimento exponencial das fraudes, que aumentaram mais de quatro vezes entre 2024 e 2025. Em apenas cinco meses de 2026, o Banco Central já contabiliza nove casos críticos.

A natureza dos ataques revela uma mudança de foco do crime organizado para o sistema financeiro digital, especificamente contra as infraestruturas tecnológicas das instituições financeiras. O Pix, por exemplo, movimentou cerca de R$ 35 trilhões em transações anuais, representando 54% do total de movimentações financeiras no Brasil. Outros dados mostram que o Open Finance já conta com mais de 100 milhões de consentimentos válidos.

Leandro Vilain, CEO da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), enfatizou que o Brasil atingiu esse nível tecnológico em um ritmo sem precedentes, comparando-o ao Reino Unido, referência em Open Banking. Entretanto, ele alertou que essa rapidez trouxe consigo novos desafios relacionados à segurança, que hoje vão muito além da presença de um vigilante ou cofre físico.

Os dados apresentados por Cavalcante em uma pesquisa realizada com 606 instituições supervisionadas pelo Banco Central revelam que 20% delas não possuem uma gestão de risco tecnológico adequada. Além disso, 44% utilizam tecnologias obsoletas. Com a crescente adoção de Inteligência Artificial, apenas metade dessas instituições garante que a sua utilização é gerida de forma estruturada, e apenas 15% realizam auditorias internas focadas nessa tecnologia.

Com a ascensão do crime organizado e o aumento da sofisticação das fraudes, o cenário se torna particularmente desafiador. Vilain descreveu os golpes como um processo cada vez mais profissionalizado, com criminosos utilizando engenhosidade tecnológica para enganar as vítimas. O desenvolvimento de aplicativos fraudulentos que operam sob a fachada de iniciativas legítimas é um exemplo desse fenômeno.

O Banco Central, por sua vez, anunciou a criação de uma nova plataforma chamada Prisma, focada em supervisionar os riscos do setor utilizando modelos de Inteligência Artificial. Em um esforço adicional para melhorar a segurança, foi enviado um questionário às instituições financeiras com o objetivo de mapear riscos e identificar fornecedores críticos. Essas iniciativas visam criar um ambiente mais seguro para transações financeiras, adaptando-se à evolução do crime digital e procurando garantir a integridade do sistema financeiro nacional.

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