O diabetes, uma condição crônica caracterizada pela incapacidade do organismo em produzir ou utilizar adequadamente a insulina, hormônio crucial para a regulação da glicose no sangue, afeta atualmente cerca de 19,9 milhões de brasileiros, conforme os dados do Censo Demográfico de 2022. A Organização Mundial da Saúde aponta que, globalmente, a doença afeta 14% da população adulta, o que representa cerca de 828 milhões de indivíduos.
Os tipos mais comuns de diabetes são os tipos 1 e 2. O tipo 1, geralmente diagnosticado na infância, ocorre devido a uma resposta autoimune que destrói as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina, obrigando os pacientes a dependenderem de injeções de hormônio. O tipo 2, que representa aproximadamente 90% dos casos, está frequentemente associado a fatores de estilo de vida, como obesidade e uma alimentação inadequada, que comprometem a capacidade do organismo de produzir ou utilizar a insulina.
Ao longo dos últimos 18 anos, o aumento dos casos de diabetes foi mais acentuado entre os homens, com uma elevação de 143,5%, enquanto as mulheres registraram um aumento de 127%. Entre as faixas etárias, a maior taxa de crescimento foi observada nos jovens de 25 a 34 anos, que apresentaram um aumento de 236,4%.
Além disso, a pesquisa revelou que a alta incidência de diabetes é especialmente significativa entre aqueles com escolaridade mais alta, refletindo um aumento de 268% entre os que completaram o ensino médio. O crescimento geral das taxas de diabetes no Brasil foi de 0,35% ao ano entre 2006 e 2024, mas nos últimos cinco anos, esse aumento acelerou para 0,90% ao ano.
Esses dados não apenas refletem a realidade brasileira, mas também seguem uma tendência mundial. Entre 1990 e 2022, o número de adultos vivendo com diabetes quadruplicou em todo o mundo, sendo a maioria dos casos de diabetes tipo 2, ligado ao estilo de vida. O diretor-geral da OMS destacou a necessidade urgente de ações globais para combater a epidemia, incluindo políticas que incentivem dietas saudáveis e a prática regular de atividades físicas.
A pesquisa também revelou um aumento preocupante nos fatores de risco para diabetes no Brasil, como o excesso de peso, que subiu 46,9%, alcançando 62,6% da população. A obesidade, medida pelo índice de massa corporal (IMC), também disparou, com um crescimento de 117,8%.
Embora a prática de atividade física durante o lazer tenha aumentado, a atividade física no deslocamento tem diminuído. O consumo de frutas e vegetais manteve-se estagnado em 31%, enquanto o consumo excessivo de álcool aumentou em 30% desde 2006, e o tabagismo, que já tinha uma tendência de queda, subiu 18,5% entre 2019 e 2024.
Por fim, a pesquisa trouxe à tona dados sobre o sono, revelando que 20,2% dos adultos estão dormindo menos de seis horas por noite, e 31,7% apresentam sintomas de insônia. Diante desse cenário alarmante, o Ministério da Saúde lançou a estratégia Viva Mais Brasil, focada na promoção da saúde e na prevenção de doenças crônicas, com um investimento de R$ 340 milhões. A mobilização busca melhorar a qualidade de vida dos brasileiros, destacando iniciativas como a retomada da Academia da Saúde, que receberá um aporte de R$ 40 milhões até 2026.
