Entre janeiro de 2024 e outubro de 2025, 233 menores foram detidos na capital federal por portarem armas brancas. Este dado é um indicativo da crescente participação de jovens em atos violentos que envolvem objetos cortantes. Um exemplo chocante ocorreu em 17 de outubro, quando Isaac Augusto de Brito Vilhena de Moraes, de apenas 16 anos, foi morto em um latrocínio na Asa Sul, vitimado por três adolescentes que o assaltaram e em seguida o esfaquearam.
A violência não se limitou a esse caso. Na manhã de 13 de outubro, Henrique André Venturini, um policial penal de 45 anos, foi assassinado durante um assalto no Riacho Fundo II. Ele trabalhava como motorista de aplicativo e foi atacado por dois adolescentes e um homem com facas, refletindo a audácia e desassossego que marcam esse novo cenário de criminalidade.
Outro episódio que ganhou notoriedade foi a morte brutal de Eumar Vaz, um torcedor de 34 anos, em setembro, dentro de um ônibus em Samambaia. Ele foi atacado por um grupo de flamenguistas, sendo que três adolescentes estão respondendo por ato infracional análogo a homicídio. Os dados extraídos pelas autoridades policiais indicam que, só nos primeiros dez meses de 2024, 2.715 menores foram apreendidos pela Polícia Civil do DF, um número que supera os 2.680 do ano anterior.
Dentro dessa estatística, atos como ameaça e lesão corporal lideram em frequência, seguidos por delitos relacionados a drogas e roubos. Nos casos mais extremos, como os homicídios, o delegado Ricardo Iacozzilli destaca que muitos adolescentes envolvidos já têm um histórico criminal, frequentemente ligado ao tráfico de drogas e disputas territoriais.
O acesso a facas de cozinha, afirmado pelo próprio Iacozzilli, tem se tornado um ponto de preocupação, visto que muitos jovens alegam que as portam para defesa pessoal, mas isso frequentemente mascara uma intenção criminosa. Ele ressalta que o cenário é agravado pela falta de apoio familiar e social, somado à evasão escolar, fatores que contribuem para a inserção desses jovens no mundo do crime.
A legislação brasileira, por sua vez, trata esses menores como penalmente inimputáveis, mas impõe um regime de responsabilização através de medidas socioeducativas, que variam em severidade. Recentemente, propostas para aumentar o tempo de internação de adolescentes que cometem atos infracionais também foram discutidas, sinalizando uma possível mudança no enfoque do tratamento a esses jovens infratores.
A situação no Distrito Federal ressalta a urgência de um debate mais amplo sobre como enfrentar a violência juvenil e os fatores sociais que a alimentam, buscando não apenas soluções punitivas, mas também iniciativas de prevenção e apoio para evitar que novos jovens ingressem na espiral da criminalidade.