A crescente onda de furtos de celulares de alta gama no Rio de Janeiro: um desafio à segurança pública
Na Rua Professor Alfredo Gomes, um cotidiano que poderia ser comum se transforma em um pesadelo. Thais Gava, de 36 anos, caminhava distraída, imersa em seu celular, um iPhone 17 Pro Max, quando um motociclista se aproveitou da situação e subtraiu o aparelho. O furto ocorreu em questão de minutos, e, enquanto Thais tentava notificar o seguro, o ladrão já havia realizado despesas superiores a R$ 1.400 em um aplicativo de delivery, além de tentar acessar sua conta bancária para realizar transferências.
Esse incidente não é isolado em uma cidade que enfrenta um entendimento alarmante sobre a segurança de bens pessoais. O registro do furto foi feito na 10ª DP (Botafogo) em dezembro do ano passado, e Thais se deparou com a dura realidade de que seu seguro reembolsaria apenas 70% do valor original do celular, que ultrapassava os R$ 10 mil.
Dados recentes revelam que, entre dezembro de 2023 e abril deste ano, mais de 12.000 iPhones foram roubados ou furtados no estado do Rio de Janeiro, um reflexo de uma preocupação crescente que abala a confiança da população. A situação se agrava ao considerarmos que muitos casos não são registrados oficialmente, aumentando a sensação de insegurança. Outras marcas como Samsung, Motorola e Xiaomi também aparecem nas estatísticas, refletindo um panorama preocupante sobre a prevalência desses crimes.
O Instituto de Segurança Pública (ISP) reporta mais de 53.800 roubos em um período recente, embora não se tenha acesso a detalhes sobre as marcas envolvidas. Furtos de celulares não se restringem ao valor monetário; o impacto psicológico é profundo. Thais descreve a experiência como traumatizante, ressaltando como as informações pessoais armazenadas em seu dispositivo podem ser usadas indevidamente.
Atualmente, o Rio de Janeiro ocupa o segundo lugar no ranking nacional de roubos e furtos de celulares, atrás apenas de São Paulo. A capital fluminense e cidades adjacentes, como Duque de Caxias, apresentam números alarmantes, exigindo uma resposta efetiva das autoridades. Em resposta ao problema, a Polícia Civil lançou a Operação Rastreio em maio de 2025, visando desmantelar redes criminosas dedicadas a esses crimes. O resultado tem sido promissor, com a recuperação de mais de 13 mil aparelhos e a prisão de cerca de 900 indivíduos envolvidos em atividades ilegais.
Por fim, iniciativas como o Celular Seguro BR têm buscado proporcionar maior proteção às vítimas de furto, permitindo o bloqueio imediato de celulares roubados em até 10 minutos. Essa ferramenta, embora útil, não substitui a necessidade de um olhar atento e crítico sobre a segurança pública no Brasil, especialmente em um contexto urbano cada vez mais complexo e desafiador.
