Aulas na Uerj são retomadas após três meses de greve, mas professores mantém estado de alerta em solidariedade aos técnicos-administrativos ainda em paralisação.

Após um impasse que se estendeu por mais de três meses, culminando em uma greve iniciada pelos professores, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e o Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira (CAp-Uerj) estão prestes a retomar as atividades acadêmicas no próximo dia 13. A decisão de encerrar o movimento grevista foi aprovada em assembleia na Capela Ecumênica do Campus Maracanã, onde os docentes se reuniram na noite anterior.

Gregory Magalhães, presidente da Associação dos Docentes da Uerj (Asduerj), destacou que a suspensão da greve foi fruto de avanços significativos nas reivindicações da categoria. Entre as conquistas estão a recomposição salarial, o aumento do auxílio-alimentação, a implementação de um adicional por tempo de serviço vinculado ao desempenho e investimentos em infraestrutura da universidade, viabilizados pelo Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). No entanto, os professores decidiram retornar ao estado de greve, um status que permite a nova paralisação caso os acordos firmados com o governo e a reitoria não sejam respeitados. Além disso, essa decisão também é uma maneira de demonstrar solidariedade aos técnicos-administrativos da instituição, que continuam em greve desde abril.

Durante o período de greve, os docentes não sofreram descontos relativos aos dias não letivos, e as aulas perdidas deverão ser repostas, conforme estabelece a legislação educacional. Magalhães reafirmou a necessidade de cumprir os 200 dias letivos anuais, uma exigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB).

Outra boa nova para os servidores públicos é a implementação do pagamento das duas parcelas restantes da lei estadual que autoriza a recomposição salarial referente ao período entre 2017 e 2021. Essa medida impactará não apenas os docentes da Uerj, mas também os mais de 421 mil servidores estaduais.

Em relação ao auxílio-alimentação, uma mudança significativa foi realizada: o benefício agora é pago em um único valor de R$ 1.500 na folha de pagamento, em vez de ser dividido em R$ 600 como auxílio-alimentação e R$ 500 em vale-alimentação. Essa mudança, que foi efetivada em junho, representa um aumento significativo para os servidores.

Por fim, a adesão ao Propag, efetivada no dia 22, permitirá que o Estado renegocie sua colossal dívida com a União, que atualmente ultrapassa R$ 210 bilhões. Com essa medida, a previsão é que o montante possa ser reduzido para cerca de R$ 168 bilhões, trazendo um respiro para as finanças públicas.

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