O inquérito foi motivado por solicitações do ministro Alexandre de Moraes, que, preocupado com movimentações suspeitas, pediu à Receita Federal uma verificação que incluía até parentes de terceiro grau, mas sem especificar quais informações eram alvo da suspeita. Cabral enfatizou que, em situações como essa, seria mais apropriado que o ministro procurasse diretamente a Receita para que a apuração fosse feita de maneira administrativa e transparente. Ele mencionou um exemplo de Flávio Bolsonaro, que também já havia requisitado verificações de dados.
A defesa de Mansano destaca que ele não apenas acessou dados sem permissão, mas o motivo foi por conta de um sobrenome que o levou a investigar uma ex-esposa de um amigo, relacionada a um período de 2008. “Se fosse algo relacionado a um vazamento atual, não faria sentido buscar dados de 2008”, observou Cabral em sua análise.
Como consequência da investigação, o auditor enfrentou decisões severas. O STF, sob o comando do ministro Moraes, ordenou mandados de busca e apreensão, quebrou seus sigilos bancário, fiscal e telemático, e impôs restrições severas, como a proibição de sair da cidade e o uso de tornozeleira eletrônica. Cabral relatou que Mansano, uma pessoa sem qualquer histórico de problemas legais, ficou claramente abalada com a operação policial realizada em sua residência ao amanhecer, e essa situação proposta foi considerada por ele desproporcional.
Mansano, que possui uma trajetória de 30 anos no serviço público, atualmente trabalha na Delegacia da Receita Federal em São José do Rio Preto (SP), embora esteja afastado após os eventos recentes. Com um histórico de atuação em diversas áreas do governo e, segundo informações, é um dos servidores com maior remuneração, já tendo recebido valores que superam R$ 51 mil em dezembro de 2025.
Além de Ricardo Mansano, outros três servidores também estão sendo investigados: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ruth Machado dos Santos. Cada um deles ocupa posições relevantes na Receita Federal e no Serviço Nacional de Informática, com salários que variam entre R$ 11 mil e R$ 12 mil mensais. A situação levanta questões sobre a privacidade de informações fiscais e a ética no acesso a dados sensíveis, especialmente envolvendo personalidades públicas.
