O ex-presidente, que estava cumprindo uma pena de 45 anos por narcotráfico, recebeu perdão presidencial de Donald Trump no final do ano passado, apesar de suas acusações relacionadas ao tráfico de mais de 400 toneladas de cocaína para os Estados Unidos. As gravações levantam preocupações sobre a possibilidade de um retorno de Hernández à presidência e as manobras políticas necessárias para tal.
Um áudio revelador sugere que Hernández teria orientado o uso de “todo tipo de violência” para manter o controle social, uma orientação supostamente dada a Tomás Zambrano, presidente do Congresso Nacional. Ao que tudo indica, o atual presidente, Nasry Asfura—também apoiado por Trump—estaria servindo como um agente de transição, preparando o terreno para o retorno de Hernández.
Os diálogos também mencionam planos para expandir as Zonas de Emprego e Desenvolvimento Econômico (ZEDEs), além de instalar uma nova base militar e criar legislações que favorecessem empresas de inteligência artificial. Indivíduos em posições de poder parecem estar tramando para interferir em governos de outros países da América Latina, focando em lideranças na Colômbia e no México.
Além disso, os áudios indicam iniciativas para disseminar desinformação através de uma base sustentada por recursos públicos de Honduras. Isso incluiria um investimento significativo de aproximadamente US$ 350 mil, provenientes do governo argentino de Javier Milei, destinado a minar a imagem de presidentes como Gustavo Petro e Claudia Sheinbaum.
Em outra conversa, Hernández faz um pedido de transferência de US$ 150 mil para criar uma “unidade de jornalismo digital” que seria administrada por um membro do Partido Republicano dos EUA, evidenciando uma estratégia planejada para manipular a opinião pública. A utilização de igrejas evangélicas como canais de mobilização política contra adversários, como a ex-presidente Xiomara Castro, foi mencionada como parte deste esquema, reforçando o papel das instituições religiosas na luta pelo controle narrativo.
Essas revelações pintam um quadro preocupante sobre a configuração política na América Central, evidenciando como as dinâmicas de poder se entrelaçam em um potencial esforço de subversão a governos democraticamente eleitos e um retorno a práticas de controle autoritário sob uma fachada de legitimidade.





