Audiência Pública Revela Violência e Desafios Enfrentados por Ambulantes nas Praias do Rio de Janeiro e Reitera Necessidade de Regularização e Proteção.

Na manhã desta terça-feira, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro sediou uma audiência pública que trouxe à tona a crítica situação dos ambulantes que atuam nas praias da cidade. O evento, que atraiu diversos participantes interessados em discutir os desafios enfrentados por esses trabalhadores informais, teve como tema central as denúncias de violência perpetrada por agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) e da Guarda Municipal durante operações de fiscalização na orla. A controvérsia ganhou notoriedade após um incidente envolvendo uma artesã em Ipanema, cuja abordagem violenta gerou uma onda de protestos entre os banhistas e se espalhou rapidamente nas redes sociais no mês anterior.

Durante a audiência, vozes como a de Elenice Cristina Moreira, uma vendedora de caipirinhas em Copacabana, contaram histórias alarmantes sobre abusos. Ela relatou: “Muitos são espancados de forma arbitrária. Eu já levei tiro de borracha nas costas. Todos os dias lutamos para sustentar nossas famílias”. Este tipo de violência é apenas uma das preocupações que os ambulantes trouxeram à mesa. As reivindicações também incluiram demandas por melhores condições de trabalho, como a instalação de banheiros químicos nas praias, a criação de pontos de apoio para facilitar a regularização de suas atividades e a oferta de cursos de primeiros socorros.

Idison José da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal de Rua, destacou que a abordagem da ordem pública deve ser voltada para a organização e não para a repressão. “Não deve haver criminalização. Nós somos conscientes do nosso papel na economia e não vamos abrir mão da nossa história”, afirmou.

A audiência foi organizada pelo vereador Leonel de Esquerda, e contou com a presença de vários outros vereadores e representantes de organizações da sociedade civil. Entre eles, estavam os deputados estaduais e entidades como Maria dos Camelôs e o Movimento Unido dos Camelôs (Muca-RJ). O evento, no entanto, foi marcado pela ausência de representantes do Executivo municipal, apesar do convite estendido ao prefeito Eduardo Cavaliere e a outras autoridades.

Leonel também criticou a rejeição a um projeto que buscava reconhecer os ambulantes da orla como patrimônio cultural imaterial do Rio, vetado pela maioria dos vereadores. Ele expressou seu descontentamento, afirmando que a realidade se assemelha a uma plutocracia, onde os interesses da elite prevalecem sobre os da maioria.

Uma reunião está programada para a quarta-feira, onde os secretários de Ordem Pública e Fazenda discutirão a situação dos ambulantes. Dados recentes indicam um descompasso entre a oferta de licenças e a demanda, com muitos trabalhadores ainda aguardando uma oportunidade para formalizar suas atividades.

A prefeitura foi contatada para comentar a questão, mas não forneceu uma resposta até o fechamento da reportagem. A situação dos ambulantes nas praias do Rio de Janeiro continua a ser uma questão complexa, envolvendo não apenas direitos trabalhistas, mas também a proteção do patrimônio cultural e social da cidade.

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