Durante a audiência, vozes como a de Elenice Cristina Moreira, uma vendedora de caipirinhas em Copacabana, contaram histórias alarmantes sobre abusos. Ela relatou: “Muitos são espancados de forma arbitrária. Eu já levei tiro de borracha nas costas. Todos os dias lutamos para sustentar nossas famílias”. Este tipo de violência é apenas uma das preocupações que os ambulantes trouxeram à mesa. As reivindicações também incluiram demandas por melhores condições de trabalho, como a instalação de banheiros químicos nas praias, a criação de pontos de apoio para facilitar a regularização de suas atividades e a oferta de cursos de primeiros socorros.
Idison José da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Comércio Informal de Rua, destacou que a abordagem da ordem pública deve ser voltada para a organização e não para a repressão. “Não deve haver criminalização. Nós somos conscientes do nosso papel na economia e não vamos abrir mão da nossa história”, afirmou.
A audiência foi organizada pelo vereador Leonel de Esquerda, e contou com a presença de vários outros vereadores e representantes de organizações da sociedade civil. Entre eles, estavam os deputados estaduais e entidades como Maria dos Camelôs e o Movimento Unido dos Camelôs (Muca-RJ). O evento, no entanto, foi marcado pela ausência de representantes do Executivo municipal, apesar do convite estendido ao prefeito Eduardo Cavaliere e a outras autoridades.
Leonel também criticou a rejeição a um projeto que buscava reconhecer os ambulantes da orla como patrimônio cultural imaterial do Rio, vetado pela maioria dos vereadores. Ele expressou seu descontentamento, afirmando que a realidade se assemelha a uma plutocracia, onde os interesses da elite prevalecem sobre os da maioria.
Uma reunião está programada para a quarta-feira, onde os secretários de Ordem Pública e Fazenda discutirão a situação dos ambulantes. Dados recentes indicam um descompasso entre a oferta de licenças e a demanda, com muitos trabalhadores ainda aguardando uma oportunidade para formalizar suas atividades.
A prefeitura foi contatada para comentar a questão, mas não forneceu uma resposta até o fechamento da reportagem. A situação dos ambulantes nas praias do Rio de Janeiro continua a ser uma questão complexa, envolvendo não apenas direitos trabalhistas, mas também a proteção do patrimônio cultural e social da cidade.







