O impacto financeiro nefasto foi, em grande parte, decorrente de uma “perda de valor justo”, que totalizou R$ 572 milhões. A administração do Galo, em um esforço para contextualizar essa situação, afirmou que o prejuízo real foi de R$ 310 milhões, argumentando que a perda, embora significativa, se caracteriza como pontual e de natureza não financeira.
A nota explicativa do clube destacou uma avaliação realizada pela LCA Consultores, que constatou que os ativos do Departamento de Futebol estavam avaliados acima de seu valor recuperável, levando à necessidade de um ajuste contábil. O Atlético-MG, por sua vez, tem como estratégia para enfrentar essa situação o controle rigoroso de suas despesas e uma busca ativa por receitas.
Em termos de arrecadação, o clube registrou R$ 727 milhões em receita líquida, um número que, embora positivo, ainda é insuficiente para cobrir os altos custos operacionais e os investimentos em futebol, que somaram R$ 181 milhões. As principais fontes de receita foram as vendas de jogadores e os direitos de transmissão, que trouxeram R$ 203 milhões e R$ 282 milhões, respectivamente.
A folha salarial do elenco representou 67% dos custos operacionais, com um aumento de 7% em relação ao exercício anterior, mostrando que, apesar da crise, o clube continuou a investir em seu time para buscar resultados competitivos. Paralelamente, o endividamento bancário cresceu, saltando de R$ 555 milhões para R$ 654 milhões, enquanto as dívidas tributárias também apresentaram crescimento.
A venda de atletas é uma luz no fim do túnel para a equipe, com transações significativas, como a de Alisson para o Shakhtar, que rendeu R$ 77 milhões, e outras vendas que também contribuíram para a recuperação financeira do clube. Contudo, o quadro atual exige um planejamento estratégico mais robusto para estabilizar as contas e reconstruir a saúde financeira do Atlético-MG.
