Atividade econômica da Argentina cresce 1,9% em janeiro, mas desemprego e consumo enfrentam desafios, revelando complexidade no cenário econômico do país.

Na última segunda-feira, 30 de janeiro de 2026, autoridades argentinas revelaram que a atividade econômica do país registrou um crescimento de 1,9% em janeiro, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Essa expansão, que surpreendeu muitos analistas, foi impulsionada pelo aumento considerável nos setores primário e financeiro, incluindo um expressivo crescimento na agricultura, que teve alta de 25,1%, e na mineração, com um incremento de 9,6%. O setor pesqueiro também se destacou, exibindo um notável aumento de 50,8%, enquanto a intermediação financeira avançou 7,7%.

O governo do presidente Javier Milei celebrou esses resultados como um “novo máximo histórico”, conforme destacou o ministro da Economia, Luis Caputo. Contudo, esse panorama otimista contrasta significativamente com o declínio observado em setores essenciais como o consumo e o comércio, ambos impactados por atrasos salariais e uma inflação crescente. A indústria manufatureira, por sua vez, registrou uma queda de 2,6%, enquanto o comércio recuou 3,2%. Essa desaceleração nas atividades de grandes empregadores preocupa especialistas, uma vez que a perda de empregos nesses setores pode agravar ainda mais a situação do mercado de trabalho no país.

O economista Martín Pollera, diretor da consultoria Atenas, ressaltou que a recuperação econômica observada tem sido desigual, com setores em expansão, como mineração e energia, gerando pouco emprego. Além disso, esses setores estão localizados em regiões distantes, como o norte e a Patagônia, dificultando a requalificação de trabalhadores que perderam seus postos na região metropolitana.

Dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) revelam uma elevação do desemprego, que alcançou 7,5% no final de 2025, enquanto a informalidade atingiu 43%, abrangendo cerca de 5,8 milhões de trabalhadores sem vínculos formais ou contribuições previdenciárias. O aumento na informalidade reflete a mudança na dinâmica do emprego, com a queda do trabalho formal e o surgimento de relações de trabalho mais precárias.

Paralelamente, os salários em janeiro não acompanharam a inflação, com uma alta de apenas 2,5%, que ficou aquém do aumento de preços de 2,8%. Assim, essa situação consolidou um padrão que se intensificou ao longo de 2025, evidenciado pela diferença significativa entre o aumento salarial de 28% e a inflação de 35%.

De acordo com a consultoria Scentia, o consumo de massa registrou uma queda de 3,4% em fevereiro, o maior retrocesso dos últimos 12 meses, especialmente visível nos supermercados, que enfrentaram uma diminuição de 5,9% nas vendas. O economista Eduardo Jacobs aponta que a queda na demanda está relacionada a uma reestruturação econômica mais profunda, em vez de uma simples desaceleração do consumo. Ele observa que o comportamento do consumidor mudou, sendo menos impulsivo e mais cauteloso em um ambiente de incertezas econômicas, o que sugere que o cenário econômico da Argentina é mais complexo do que os indicadores setoriais podem sugerir.

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