Especialistas analisam que o objetivo de Trump pode ser o fortalecimento da narrativa antiglobalização de sua administração, além de uma tentativa de enfraquecer alianças como o BRICS, do qual a África do Sul é um componente vital. Segundo Bruno Mendelski, professor de relações internacionais, essa abordagem é tanto estratégica quanto ideológica. Ele argumenta que as acusações de Trump carecem de fundamentos reais e que na verdade, essa hostilidade pode acabar por unir a África do Sul mais fortemente a países como China e Rússia.
A França, por meio de seu embaixador na África do Sul, não hesitou em expressar apoio ao país africano, reiterando seu direito de participação no G20. Essa defesa é vista como parte de uma tentativa mais ampla da União Europeia de afirmar uma política externa independente dos Estados Unidos, embora, segundo analistas, sua eficácia seja questionável frente à dominância estadunidense.
Laura Ludovico, especialista em direito internacional, destacou que a exclusão da África do Sul seria uma afronta à história e ao propósito do G20, do qual o país tem sido uma voz ativa desde a sua fundação. Para Ludovico, essa ação de Trump não só poderia afastar a África do Sul dos laços ocidentais, mas também impulsioná-la em direção a uma maior colaboração com as potências asiáticas, essencialmente reconfigurando seu alinhamento estratégico global.
Neste contexto, muitos analistas veem a possibilidade de que essas táticas poderiam gerar um efeito oposto ao desejado pelos EUA, reforçando a posição da África do Sul no sul global e solidificando seus laços com outros países emergentes. Essa situação ressalta não apenas as tensões geopolíticas atuais, mas também a relevância crescente de potências não ocidentais na formação de um novo equilíbrio global.
