O ambiente em torno de Sagitário A* é caracterizado por uma radiação intensa que resulta de ventos potentes e imensas forças gravitacionais, tornando-o um dos locais mais hostis da galáxia. As questões sobre como moléculas delicadas, como aquelas que compõem a água e os grãos de poeira, conseguem resistir em meio a condições tão adversas sempre intrigaram os cientistas. Dr. Florian Peissker, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, enfatiza a importância de entender se as estrelas próximas a centros galácticos podem continuar a enriquecer o material ao seu redor.
IRS 3, com aproximadamente 72 milhões de anos e cerca de seis vezes a massa do Sol, foi objeto de uma análise detalhada através do MIRI, o Instrumento de Infravermelho Médio do telescópio. Essa investigação permitiu obter o espectro infravermelho mais completo da estrela já registrado, resolvendo questões sobre sua composição química que permaneciam sem resposta. Observações anteriores deixaram em aberto a possibilidade de que a estrela fosse rica em carbono. No entanto, os novos dados revelaram características que delatam a presença de poeira rica em oxigênio e à base de silicato, comprovando que IRS 3 é, de fato, uma gigante rica em oxigênio.
Ainda mais impressionante foi a detecção de assinaturas de moléculas de água no material circundante da estrela. Considerando a fragilidade dessas moléculas, que podem ser facilmente destruídas pela radiação ultravioleta e raios X emanados do buraco negro, a presença de água intacta indica que a densa camada de poeira ao redor da estrela funciona como um escudo, protegendo sua química de um ambiente hostil. Essa descoberta não só enriquece nosso entendimento sobre a formação de elementos cruciais para a vida, mas também estabelece um novo patamar para a pesquisa sobre as condições de habitabilidade em regiões extremas do universo.




