O astrolábio em questão foi produzido em 1612 por dois irmãos artesãos, Qa’im Muhammad e Muhammad Muqim, na cidade histórica de Lahore, que na época era parte do Império Mughal, uma das dinastias mais poderosas da história. Originalmente, o instrumento foi entregue a um nobre do império e, com o passar dos anos, passou a integrar a coleção do marajá Sawai Man Singh II de Jaipur, no norte da Índia. Após a morte do marajá, a peça foi herdada pela icônica Gayatri Devi, uma das figuras mais proeminentes do século 20. Por fim, o astrolábio foi adquirido por uma coleção privada em Londres.
No âmbito da história dos astrolábios, essa venda é notável, especialmente considerando que a venda anterior mais cara, ocorrida em 2014, envolveu um exemplar otomano do século 15, que foi arrematado por apenas 1 milhão de libras, um valor significativamente menor. O novo recorde evidencia o crescente interesse e a valorização de peças que não apenas representam a história, mas também a maestria artesanal de épocas passadas.
Mas o que exatamente é um astrolábio? Esencialmente, trata-se de um instrumento astronômico que foi amplamente utilizado na navegação. Sua principal função era medir a altura do Sol, das estrelas e de outros astros acima do horizonte, permitindo aos navegadores determinar latitude e hora, além de localizar pontos cardeais. Frequentemente chamado de “computador astronômico portátil” ou “smartphone antigo”, o astrolábio ainda é admirado por sua complexidade e beleza.
O exemplar leiloado pesa 8,2 kg e possui cerca de 30 cm de diâmetro e quase 46 cm de altura, características que o tornam notável dentro da categoria. O valor pago por ele destaca a relevância das artes antigas e históricas, mostrando que o apelo por peças raras e significativas permanece forte, mesmo na era moderna.







