Associação Médica Brasileira se opõe a projeto de lei que busca liberar a produção e venda de cigarros eletrônicos no Brasil.

A Associação Médica Brasileira (AMB) se manifestou contrária ao Projeto de Lei 5008/2023, que propõe a liberação da produção e venda dos cigarros eletrônicos no Brasil. Em nota divulgada nesta quinta-feira, a entidade classificou o projeto como um “desserviço aos cidadãos” e argumentou que a regulamentação não garantiria a proteção da sociedade contra o consumo indiscriminado desses dispositivos.

Segundo a AMB, a proibição da comercialização e importação dos cigarros eletrônicos é fundamental para proteger a saúde da população brasileira. A nota ressalta que, mesmo sendo facilmente encontrados em bancas de jornal e tabacarias, esses produtos são proibidos no país desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Embora existam pedidos para que os cigarros eletrônicos sejam regulamentados, como forma de combater o contrabando e estabelecer critérios sanitários para esses dispositivos, a Anvisa optou por manter a proibição. Em entrevista ao GLOBO, o presidente da agência afirmou que pretende abrir uma consulta pública sobre o tema em breve.

De acordo com a AMB, cada pod do cigarro eletrônico contém a mesma quantidade de nicotina presente em 20 cigarros convencionais. Apesar disso, o uso desses dispositivos não é ilegal no Brasil. Um levantamento recente realizado pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec) mostrou que 2,2 milhões de adultos brasileiros utilizam cigarros eletrônicos.

O projeto de lei apresentado pela senadora Soraya Thronicke cita o alto consumo desses dispositivos no Brasil, aliado à falta de regulamentação e informações sobre sua segurança, como um dos motivos para a sua regulamentação. No entanto, a AMB destaca que a regulamentação em mais de 80 países não garante a redução dos riscos à saúde associados ao uso dos cigarros eletrônicos.

A associação alerta para a presença de substâncias tóxicas e cancerígenas nos aerossóis desses dispositivos, além da facilidade de dependência devido à forma como a nicotina é entregue. Estudos também associaram o uso dos cigarros eletrônicos a doenças respiratórias, aumento da rigidez arterial e risco de infarto agudo do miocárdio. Pesquisas de laboratório também demonstraram que esses dispositivos são carcinogênicos para o pulmão e a bexiga.

A AMB ressalta ainda o caso da EVALI, uma lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos que foi identificada nos Estados Unidos e já causou milhares de casos e dezenas de mortes. Diante desses riscos, a associação defende a manutenção da proibição da comercialização e importação dos cigarros eletrônicos no Brasil, destacando que não há benefícios para os usuários desses dispositivos.

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