A posição de presidente da Alerj ficou desocupada após a cassação de Rodrigo Bacellar, que se vê agora enfrentando a prisão por suspeitas de envolvimento com o Comando Vermelho, um dos grupos de tráfico de drogas mais influentes na cidade. Desde então, o deputado estadual Guilherme Delaroli, do PL, assume a presidência interinamente, enquanto o processo eleitoral não se conclui.
Os parlamentares terão a opção de votar de maneira híbrida, ou seja, tanto presencialmente nas dependências da Assembleia quanto de forma remota, como já é prática em tempos de pandemia. A votação ocorrerá de forma aberta, conforme determina o regimento interno da Casa. Para ser eleito no primeiro turno, o candidato precisa obter pelo menos 36 votos; caso contrário, a eleição seguirá para um segundo turno, onde a maioria dos votos dos presentes será suficiente para decidir o novo presidente.
É importante lembrar que em fevereiro último, a Alerj havia escolhido Douglas Ruas, também do PL, para a presidência, mas a decisão foi suspensa pela Justiça. A razão foi a anulação dos votos de Bacellar, que, após sua cassação, resultaram numa situação de incerteza jurídica na eleição.
Do outro lado do espectro político, há uma resistência por parte de partidos alinhados ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que pleiteiam que a votação para o novo presidente da Alerj seja adiada até o julgamento de uma ação no Supremo Tribunal Federal sobre como será a eleição do próximo governador do estado. O deputado Luiz Paulo Corrêa da Rocha, do PSD, já protocolou um mandado de segurança visando suspender a eleição, mas a Justiça negou sua solicitação, reafirmando a necessidade de seguir com o processo eleitoral.
A desembargadora Suely Lopes Magalhães argumentou que, caso a votação não ocorra, a Alerj estaria prejudicada por um período indefinido, provocando uma violação da autonomia legislativa do estado. Os partidos Cidadania, MDB, PC do B, Podemos, PDT, PSB, PSD e PT emitiram uma nota conjunta expressando que a atual crise institucional gerada pela ausência de um governador definido torna a realização das eleições inviável sob as circunstâncias atuais.
O Rio de Janeiro vive um momento peculiar em sua política, com um vácuo de poder que afeta não apenas a Alerj, mas também a governança do estado. A crise de sucessão se intensifica à medida que o Supremo Tribunal Federal se prepara para decidir sobre a celeridade das novas regras para o mandato-tampão, deixando o cenário político ainda mais incerto. O último desdobramento na linha sucessória ocorreu com a renúncia de Cláudio Castro, dia antes de sua condenação, gerando uma cadeia de consequências que culminaram na atual crise.
O advogado Leandro Manzano Sorroche destaca a gravidade do momento, afirmando que, sem um governador legitimamente eleito, o estado se encontra em um estado de insegurança jurídica e instabilidade institucional. Essa situação, segundo ele, pode atrasar projetos e minar a capacidade de execução orçamentária, prejudicando o funcionamento efetivo da administração pública. O quadro é de incertezas em um contexto já complicado, onde a falta de representação legítima pode intensificar a crise social e econômica.






