As cordelistas do Pajeú que colocam a mulher no protagonismo da poesia: tradição, resistência e sabedoria no semiárido nordestino.

No sertão pernambucano, mais precisamente no Vale do Pajeú, um grupo de mulheres cordelistas vem ganhando destaque e reescrevendo a tradição popular da região. Com suas rimas e versos, essas poetisas lutam contra o machismo e dão voz às questões sociais e aos direitos das mulheres. Uma das figuras proeminentes desse movimento é Elenilda Amaral, de Afogados da Ingazeira, que, aos 37 anos, se tornou a primeira mulher na história do Pajeú a participar de uma mesa de improviso, em 2013.

As águas encantadas do rio Pajeú, que se estendem por 350 km em 17 municípios do semiárido nordestino, são fonte de inspiração para essas talentosas poetisas. Isabelly Moreira, de São José do Egito, é um exemplo dessa ligação intrínseca entre a poesia e a região. Desde os 13 anos, ela transforma suas experiências de vida em cordéis escritos e declamados, mantendo viva a tradição da oralidade e da sabedoria popular.

Outra figura importante nesse cenário é dona Luzia Baptista, de 72 anos, conhecida como Luzia Poetisa. Agricultora do sítio Açude da Porta, em São José do Egito, ela nunca frequentou a escola, mas construiu sua reputação pela maestria com que decora e recita versos. Dona Luzia representa a tradição mais antiga das cordelistas da região, passando de geração em geração o legado da poesia e da cultura popular.

Essas mulheres desafiam os estereótipos e mostram que a poesia é uma ferramenta poderosa para combater preconceitos e promover a igualdade de gênero no sertão pernambucano. A presença feminina no Vale do Pajeú está cada vez mais forte e marcante, demonstrando a qualidade e a diversidade das produções poéticas locais. Assim, a poesia continua a fluir no sertão, revelando novas vozes e histórias que enriquecem a tradição cultural da região.

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