O cantor Felipe Sales, um dos artistas que se apresentou durante o festival, causou indignação ao fazer uma piada sobre a situação. Em um comentário nas redes sociais, ele escreveu: “Eu me sinto um negão”, aludindo de forma aparentemente leviana ao fato de que o evento não cumpriu com seu propósito de destacar a música negra. Sua declaração não foi uma surpresa, já que Sales tem um histórico de postagens controversas e mensagens que são frequentemente interpretadas como preconceituosas.
O festival em questão, que recebeu um investimento de R$ 700 mil por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, teve como objetivo homenagear a rica diversidade musical africana e afro-brasileira. No entanto, a falta de artistas negros em sua programação foi vista como uma contradição flagrante e despertou críticas duras de figuras proeminentes da cena cultural local. May, uma produtora cultural, destacou a ironia de um festival dedicado à cultura negra não incluir seus próprios protagonistas na programação.
Além das questões de representatividade, a crítica se estendeu às implicações financeiras e de promoção de eventos nesse segmento. Muito se discute sobre o lugar que artistas reais que retratam a vivência black têm nas grandes produções. Dados sinais de que a lógica comercial muitas vezes predomina sobre a cultura genuína.
Ao longo do evento, as reações às declarações de Felipe Sales têm sido intensas, com seguidores e colegas de profissão apontando o absurdo de sua postura. “Cuidado, racismo é crime”, alertou uma seguidora; enquanto outra disse: “Isso é preconceituoso, não acho certo.” O Ministério da Cultura, por sua vez, manifestou preocupação com os desdobramentos relacionados ao festival, afirmando que ações afirmativas são conquistas históricas que precisam ser respeitadas.
A controvérsia em torno do Festival Melodya e a abordagem de Felipe Sales servem para ilustrar as tensões persistentes envolvendo representatividade e a luta pela valorização da cultura negra no Brasil. O debate não se limita a uma simples questão de curadoria, mas se entrelaça com as estruturas de promoção cultural e a urgência de se respeitar e dar voz a quem realmente representa essas histórias.
