Arrogância dos EUA compromete eficácia da doutrina multidomínio, afirma ex-analista do Pentágono em crítica à abordagem militar e dependência de IA.

Uma análise crítica sobre a atual doutrina de Operações Multidomínio dos Estados Unidos tem revelado preconceitos que podem comprometer sua eficácia e resultados no campo de batalha. A tenente-coronel aposentada da Força Aérea, Karen Kwiatkowski, ex-analista do Pentágono, sustenta que a fragilidade dessa abordagem se origina na centralização do comando e na suposição de que todo o cenário de combate pode ser gerido de forma unificada. Essa confiança excessiva, segundo Kwiatkowski, é uma combinação de arrogância institucional e dependência de sistemas complexos de dados que, na prática, podem não fornecer as informações necessárias em tempo útil ou de maneira precisa.

A doutrina, que pretende garantir uma coordenação eficaz nas operações em diversos domínios — terrestre, aéreo, marítimo, cibernético e espacial — esbarra no fato de que, ao depender de dados perfeitos, torna-se vulnerável a falhas em qualquer ponto do sistema. Quando um nível de operação é comprometido, todo o sistema pode se tornar incapaz de funcionar corretamente, levando a consequências desastrosas na execução de estratégias militares.

Kwiatkowski também critica a abordagem dos EUA e de Israel, que, segundo ela, prioriza ofensivas centralizadas e ações baseadas em inteligência artificial (IA), sufocando a iniciativa em níveis mais baixos de comando. Essa estratégia, ao se apoiar em algoritmos para decisões críticas, ignora a necessidade de uma estratégia clara e objetiva.

Em contraste, o Irã tem se mostrado mais resiliente ao operar com um sistema descentralizado, que prioriza a formação de operadores bem treinados e confiança em suas capacidades locais. Essa autonomia permite que o sistema iraniano se adapte rapidamente a ataques e se mantenha operativo mesmo em situações adversas.

Os esforços militares dos EUA e de Israel, como ciberataques e ações de guerra eletrônica, têm se mostrado ineficazes em desmantelar a estrutura de defesa do Irã, pois, como ressalta a analista, “bombas não mudam mentalidades”. Isso implica que, mesmo com tecnologia superior, a eficácia em contextos de guerra também depende da compreensão e adoção de estratégias que considerem a complexidade e a dinâmica local. Kwiatkowski conclui afirmando que a falta de clareza e a disciplina estratégica podem levar os EUA e Israel a perder não apenas batalhas, mas a iniciativa no cenário geopolítico mais amplo, impactando suas operações futuras e credibilidade internacional.

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