Arraia ‘voa’ sobre o mar em Niterói e surpreende banhistas; biólogo explica presença de diversas espécies na região

Na última terça-feira, um fenômeno curioso e surpreendente chamou a atenção dos frequentadores da praia de Boa Viagem, em Niterói. Uma arraia, em um salto impressionante, foi flagrada pelos espectadores enquanto disparava da superfície das águas, criando uma imagem que parecia um verdadeiro voo sobre o mar. O momento inesperado despertou o interesse de dezenas de pessoas que se divertiam no local e foi rapidamente compartilhado nas redes sociais, gerando comentários e curiosidade.

As imagens que circularam mostram o animal emergindo de forma abrupta, enquanto os banhistas nadavam nas proximidades, destacando a beleza e a riqueza da vida marinha da região. Esse evento não se limitou a ser uma mera curiosidade; por trás dele, especialistas estavam a observar uma importante convergência de vida aquática na área.

Na mesma data, o professor e biólogo Gabriel Mascarenhas, da Universidade Federal Fluminense, estava atento às dinâmicas marinhas da costa de Niterói e notou uma concentração incomum de diversas espécies. Durante sua observação em Itaipu, ele percebeu a presença de aves, tartarugas e peixes, o que levou a questionar a quantidade de alimento disponível na região. Mascarenhas relatou que, embora já tivesse visto esses animais no passado, nunca antes havia notado um número tão expressivo reunido em áreas rasas.

O biólogo apontou que essa reunião de espécies pode estar relacionada não apenas à abundância de alimentos disponíveis, mas também ao fenômeno oceânico conhecido como ressurgência. Esse processo ocorre quando ventos específicos favorecem a movimentação das águas superficiais, permitindo que águas profundas, mais frias e ricas em nutrientes, subam para a superfície. A ressurgência, portanto, potencializa a disponibilidade de nutrientes e pode ter um impacto significativo na cadeia alimentar marinha.

Mascarenhas ressalta que essa dinâmica não se restringe apenas à costa de Niterói, mas também afeta amplamente outras áreas do estado, como a Região dos Lagos. A presença dessa biodiversidade marinha, portanto, pode ser vista como um indicativo de um ecossistema saudável e interligado, atraindo cada vez mais animais em busca de alimento e interação nas águas fluminenses.

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